As mini-hortas caseiras já são estruturas bastante populares, são pequenas (cabem numa varanda) e geralmente usadas para semear e manter, por exemplo, ervas aromáticas. Mas o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) quer dar o passo seguinte, antecipando-se ao cenário traçado pelos cientistas: o aumento da população mundial, concentrada nas grandes cidades e consequentemente problemas como a falta de espaço, a escassez de água e de comida.

A este propósito, dois dados interessantes (e assustadores): os sistemas agrícolas dos EUA consomem 80% da água doce disponível; já há países a arrendar terrenos para cultivo noutros países. O sistema tradicional de cultivo intensivo ocupa espaço e consome demasiada água para produzir alimentos que têm de ser transportados, três problemas que podem ser parcialmente resolvidos, de acordo com os estudos realizados pela CityFARM no Media Lab do MIT, com novas técnicas de cultivo chamadas aeroponia e hidroponia.

A hidroponia utiliza uma solução aquosa (reciclável) como substrato e a aeroponia leva a poupança e eficiência mais além, retirando às plantas qualquer tipo de suporte físico. Nem água nem terra, com esta técnica as plantas são presas pela base do caule e as raízes ficam expostas ao ar. Então e como é que as plantas se desenvolvem? Com soluções ricas em nutrientes pulverizadas nas folhas e nas raízes, em ambiente controlado. O resultado, segundo o CityFARM, é um consumo de água reduzido em 98% e a eliminação de químicos e pesticidas. Em suma, comida mais saudável e fresca, produzida em casa.

O sistema controla rigorosamente tudo: pH, temperatura, humidade, luz, entre uma dúzia de parâmetros. O objetivo é encontrar a “fórmula certa”. Mas os especialistas não querem (nem é possível) acabar com o sistema atual, apenas torná-lo ecologicamente sustentável, dividindo parcelas, alimentar as cidades do futuro fazendo com que cada um cultive parte da sua própria comida — p.ex. tomates, pepinos, alfaces. Os cereais continuarão de ter de ser produzidos no campo, para já.

A técnica em si não é nova, aliás, José Barroso de Carvalho, um jovem agricultor de Vila Nova de Famalicão, venceu há dois anos o prémio “Projeto Mais Inovador da Europa” com morangos cultivados através de um sistema de aeroponia. Mas Caleb Harper, fundador e cientista do CityFARM explica precisamente que não são os primeiros, mas surgiram “numa altura em que a comunidade se começou a interessar no assunto e por isso é um bom momento”.

As hortas comunitárias ganham popularidade e são um passo importante para a ecologia global e da cidade, mas as estruturas verticais dentro de casa também farão parte das soluções de produção. A ideia é contrariar o principio atual do “produzir ali para comer aqui, para mudar para ‘produzir aqui para comer aqui”, explica Caleb Harper. A The Verge entrevistou o cientista e fez um vídeo que explica bem o projeto.

A CityFARM pretende implantar-se no terreno já nos próximos seis meses. Vai funcionar em sistema aberto, ou seja, o conhecimento produzido estará acessível a todos. Só assim será possível aliviar a pressão e alimentar as cidades do futuro. Para tal, basta pensar na alimentação de uma maneira diferente.