Gerry McCann, o pai de Maddie, a menina que desapareceu no Algarve em 2007, acusou o Sunday Times de se comportar de forma “vergonhosa” depois de atuar judicialmente e ganhar um caso de difamação contra aquele jornal, conta o Guardian.

O casal McCann recebeu qualquer coisa como 70 mil euros de indemnização por calúnia por parte do diário inglês, que publicou numa primeira página que Kate e Gerry McCann prejudicaram deliberadamente a busca da filha, que desapareceu na noite de 3 de maio de 2007, na Praia da Luz, no Algarve. Casal e jornal chegaram a acordo para a verba, que será entregue a duas organizações de caridade para pessoas desaparecidas e crianças doentes.

“O Sunday Times comportou-se de forma vergonhosa. Não há nenhum sinal de qualquer melhoria pós-Leveson no comportamento de jornais como este”, expressou o casal inglês num comunicado. O Leveson Inquiry foi um processo judicial que investigou as práticas, a cultura e a ética na imprensa britânica. É importante lembrar que o Sunday Times pertence à News Corporation, o monopólio de media de Rupert Murdoch, que teve de encerrar um dos jornais — The News of the World — por recurso a escutas ilegais.

Depois de uma batalha de 11 meses para remendar os danos de imagem, o casal McCann disse que o Sunday Times não respeitou o direito ao contraditório, sobre o que diz serem “acusações grotescas e totalmente falsas”. Dois meses volvidos, o jornal retratou-se e pediu desculpa, mas essa publicação foi “escondida”, segundo o casal inglês, algures no meio do jornal. Por essa razão, por acharem que a atitude ficou aquém do que esperavam, contrataram os advogados da Carter-Ruck para processar o jornal por danos de imagem.

“É exatamente por isto que o Parlamento e Leveson apelaram a uma autoregulação independente dos jornais mais eficaz — para proteger os membros comuns do público deste tipo de abuso. A verdade é que a maioria das famílias não poderia ter o risco financeiro e legal de levar o caso para o Tribunal Supremo e enfrentar um jornal opressor como fizemos. É por isto que as notícias do Reino Unido e os grandes jornais se opuseram às reformas [resultantes do caso] Leveson”, acusou o casal no comunicado.

“O que mudou na industria dos jornais desde o relatório de Leveson há dois anos? Nada. Absolutamente nada”, insistiram.