A associação agrícola Confagri vai pedir reuniões urgentes ao Presidente da República e ao primeiro-ministro para expor a situação do setor, devido à subida dos preços dos combustíveis, que diz ameaçar a produção de alimentos e exige medidas imediatas.

Numa nota à imprensa divulgada esta segunda-feira, a Confederação Nacional das Cooperativas Agrícolas e do Crédito Agrícola de Portugal (Confagri) adianta que o conselho de administração desta estrutura associativa deliberou “solicitar audiências com caráter de urgência” ao chefe de Estado, António José Seguro, e ao chefe de Governo, Luís Montenegro (PSD/CDS-PP).

Os pedidos de reunião pretendem “expor a gravidade da situação que o setor agrícola e agroalimentar enfrenta e pedir a intervenção do Estado na defesa da sua capacidade produtiva e competitividade externa”.

A Confagri alerta que “a pressão sobre os combustíveis e os fertilizantes ameaça a produção de alimentos e milhares de postos de trabalho”, dizendo que a evolução dos preços e a incerteza em relação ao fornecimento de petróleo e de fertilizantes “estão a colocar sob forte pressão as explorações agrícolas, as cooperativas e toda a cadeia que leva os alimentos do campo à mesa dos portugueses”.

“Sem medidas atempadas, a Confagri considera que estão em risco não só a viabilidade de muitas empresas do setor, mas também a capacidade de produção nacional de bens alimentares essenciais”, refere a associação, reclamando uma “resposta política clara e imediata”.

Citado no comunicado, o secretário-geral da associação, Nuno Serra, afirma que o país enfrenta “uma questão de segurança alimentar, de competitividade nacional e de coesão territorial”.

“O Estado tem de agir antes que os efeitos se tornem irreversíveis”, diz o dirigente.

Em 23 de setembro, o Ministério da Agricultura e Mar disse que o Governo vai lançar um “novo pacote de apoios para compensar os produtores pressionados pelos preços dos fertilizantes e energia”, de 40 milhões de euros para reduzir impactos com subida dos preços, cujo montante “acresce ao montante extraordinário de 20 milhões de euros estabelecido na Resolução de Conselho de Ministros nº 107/2026, de 3 de junho, e que já foi totalmente pago em julho”.