O artista russo Pyotr Pavlensky, que ficou conhecido por ter pregado o próprio escroto ao chão da Praça Vermelha, foi hospitalizado depois de ter subido ao telhado do centro psiquiátrico Serbsky em Moscovo.

Pavlensky subiu nu ao topo do edifício e com uma grande faca de cozinha cortou o lóbulo de uma orelha, em protesto pelo uso de tratamentos psiquiátricos em dissidentes políticos. Coberto de sangue, o artista foi retirado pela polícia e levado para um hospital em Moscovo.

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De acordo com o advogado de Pavlensky, Dmitry Dinze, citado pelo The Guardian, o artista está bem de saúde e deverá receber alta hospitalar rapidamente.

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Numa declaração na página de Facebook da mulher, o artista referiu que o protesto, intitulado “Segregação”, pretende representar as consequências do uso da psiquiatria forense com objetivos políticos. O pedaço cortado simboliza uma pessoa indesejada que é “retirada” da sociedade através de diagnósticos psiquiátricos forçados, que procuram enviá-la para um hospital penitenciário, como refere o Moscow Times. “Armado com diagnósticos psiquiátricos, o burocrata com uma bata de laboratório, corta à sociedade aqueles bocados que o impedem de estabelecer uma ditadura monolítica com uma única norma obrigatória para todos”, escreveu no Facebook.

O Centro Científico de Psiquiatria Forense e Social do Estado de Serbsky, associado aos crimes praticados durante a União Soviética, voltou recentemente a estar envolto em polémica. Em abril, declarou o manifestante Mikhail Kosenko como doente psiquiátrico, condenando-o a ser tratado por tempo indefinido. A ação foi criticada pela Amnistia Internacional como um regresso às antigas práticas da União Soviética.