Portugal estreou-se na produção de milho para pipocas. O projeto de incentivo à produção nacional de pipocas é promovido pela NOS Lusomundo Cinemas em parceria com a cooperativa Agromais que, por sua vez, chegou a acordo com dez produtores nacionais do Ribatejo: Golegã, Azinhaga, Pombalinho, Pinheiro Grande e Chamusca, numa área superior a 70 hectares (considerando uma produção total de 700 mil toneladas, a compra da NOS representa um valor residual).

A ideia passa por abastecer um total de 214 salas de cinema no país, sendo que até agora as cerca de 400 toneladas de milho anuais eram provenientes de uma fornecedora francesa, Nataís. A NOS passa, assim, a ser a primeira empresa portuguesa a explorar uma estirpe de milho específico para esta finalidade, mushroom.

Depois de três anos de investigação e desenvolvimento, com vista a encontrar o tipo de sementes mais adequado, os cinemas começam agora a receber o milho nacional: os primeiros grãos foram colhidos na campanha de 2013 — cerca de 100 toneladas — na sequência de um teste piloto. A colheita de 2014 equivale a 300 toneladas que vão chegar às salas de cinema no próximo ano. Segundo fonte da NOS, a empresa espera ser autossuficiente em 2016. 

O projeto envolveu a criação de uma nova linha de secagem, armazenamento e embalagem de milho para consumo alimentar e tem uma vertente sustentável: pretende uma redução entre 40 a 60% das emissões de carbono no transporte.

A iniciativa surgiu tendo em conta a volatilidade do mercado internacional de milho, uma commodity com alto potencial de flutuação de preço. “O objetivo é, sobretudo, apostar em Portugal. Na qualidade e na inovação. Sem aumentar o investimento conseguimos os mesmos níveis de qualidade das pipocas consumidas anteriormente, com a vantagem de criarmos um novo nicho de mercado no país, até agora inexplorado”, explica a mesma fonte.

Esta quinta-feira, a ministra da Agricultura e Mar, Assunção Cristas, marca presença no evento de apresentação, onde também vão estar Pedro Mota Carmo, presidente da NOS Lusomundo Cinemas, e o diretor geral da Agromais, Jorge Neves.

Acrescente-se que o projeto em questão é financiado pelo ProDer, programa de desenvolvimento rural, e envolveu um investimento de 180 mil euros (outros 250 mil euros foram usados em infraestruturas e equipamentos considerados necessários), dizia o Expresso em maio de 2014.

A Agromais, associação agrícola do norte do vale do Tejo, apresenta-se, no respetivo site, como sendo a organização de produtores que mais milho comercializa no país – só em 2013 contaram-se cerca de 120 mil toneladas destinadas, na sua grande maioria, para alimentação animal.