Se há coisa volátil, essa coisa é a novidade. A qualidade de algo ser novo. Uma surpresa, coisa inesperada ou até surpreendente. Aí há sempre a pistola de bala única, pronta a disparar: “Ah, não estava à espera.” Depois há quem faça o milagre da multiplicação: dispara agradecimentos frisa, uma e outra vez, o orgulho em estar na mira de um prémio. Mas isto é para quem aparece no radar de vez em quando. E para os que lá estão sempre? Aí é natural. E um texto que ponha Cristiano Ronaldo a bater palavras com o ouro que reveste uma bola já parece ser natural.

Aqui está ele. Mais um ano e a conversa não muda. Ronaldo, o quase trintão português — é já a 5 de fevereiro que fica com um ‘3’ no lado esquerdo da idade –, o extremo que se fez goleador, é dos melhores jogadores de futebol do mundo. A conversa não fatiga. Pudera. Afinal, o homem do Real Madrid também não se cansa disto: pelo décimo ano consecutivo, Cristiano Ronaldo está entre os melhores 23 pares de pernas que se dedicam a correr e a pontapear uma bola de futebol neste planeta.

Sim, há quem diga que não pertence a esta terra. Até porque os números, os mais recentes, das últimas épocas, insistem em puxá-lo para a estratosfera. Desde 2010/11 que não há temporada na qual, no final, se senta no sofá, pega na calculadora e o resultado seja inferior a 50 golos marcados. São já quatro épocas a semear golos e mais golos: 53 em 2011, 60 em 2012, 55 em 2013 e 51 em 2014.

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É muita bola chegada ao destino. E mesmo quando não era, Cristiano Ronaldo já era visto como um dos melhores. Desde 2004, quando ainda pendurava brincos nas orelhas e os tapava com fita adesiva, que é um dos melhores jogadores do mundo. Não somos nós a dizê-lo — foi a FIFA e, até certa altura, a France Football, revista gaulesa. Entre 2004 e 2009, quando cada entidade ainda distinguia o melhor com o seu próprio prémio, Ronaldo apareceu sempre na lista de candidatos a conquistá-los. Sempre.

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Há dez anos, a primeira época passada a correr, a fintar e a rematar em Manchester (seis golos em 40 jogos, ainda com 19 anos) valeu-lhe logo uma nomeação para ambos os prémios. Não mais deixaria de aparecer entre os 20 melhores do mundo. Em 2008 seria ele a ter de olhar para trás de modo a avistar toda a gente, quando levou para casa os canecos de ambos os prémios, fruto dos 42 golos que marcou em 49 partidas feitas pelo Manchester United. Aqui sim, algo de novo. E teria de esperar uns aninhos para a novidade se repetir.

Porque entretanto surgiu outro extraterrestre. Um tímido, mais pequeno, e com uma relação muito séria com o golo. Aparecia Lionel Messi, a pulga argentina, que trocou os saltos pela bolas que rematava para o fundo das balizas que lhe punham à frente: entre 2009 e 2013 (a partir de 2010 as distinções juntaram-se no prémio FIFA para o Melhor Jogador do Mundo), o pequeno albiceleste ganhou tudo. E marcou muito: foram 252 os golos que conseguiu ao serviço do Barça.

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Até que a novidade voltou. À força. Em 2013, outra Bola de Ouro acabou na prateleira dos troféus do português, cinco anos depois da primeira lá chegar e começar a ganhar pó — só o outro Ronaldo, o ‘Fenómeno’ brasileiro, tivera que esperar tanto tempo para se voltar a agarrar um troféu de melhor do mundo (entre 1997 e 2002). Coincidência? No nome, claro. E, em breve, talvez haja outra — no número de prémios conquistados.

A 1 de dezembro saber-se-á se Cristiano Ronaldo entra na lista de três finalistas para a Bola de Ouro de 2014. Caso lá apareça e, depois, acabe por merecer o maior número de votos (entre selecionadores, capitães das equipas nacionais e jornalistas), o português igualará as três distinções que o brasileiro conseguiu. Isso sim, será novo.