O clarinetista Nuno Silva celebra os 20 anos como músico da Orquestra Metropolitana de Lisboa (OML), com um novo álbum, gravado ao vivo, e em que interpreta o Quinteto para Clarinete, de Mozart, e o Concerto para Clarinete, de Copland.

Em declarações à Lusa, o músico, com 38 anos de carreira, afirmou ter escolhido estas duas peças, “porque são emblemáticas”.

“São duas obras de que gosto muito e, particularmente o Quinteto de Mozart, transpõe o repertório do clarinete e faz parte da História da Música; é uma referência para muita gente, mesmo que não toque clarinete”, afirmou.

O músico é acompanhado, na peça de Mozart, gravada no auditório Beatriz Costa, em Mafra, em março de 2010, por um grupo de solistas da Metropolitana, nomeadamente os violinistas Alexei Tolpygo e Elder Nagiev, a violetista Joana Cipriano e o violoncelista Jian Hong.

No Concerto para Clarinete de Aaron Copland, gravado em setembro do ano passado, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, Nuno Silva é acompanhado pela OML, sob a direção do maestro Cesário Costa.

O CD fecha com uma “improvisação” que, em declarações à Lusa, o músico qualificou como “uma ironia”. “Foi uma peça de ‘encore’, interpretada depois do Concerto de Copland, com o Centro Cultural de Belém cheio. Iniciei com ‘Rhapsody in Blue’, de Gershwin, e transformei aquilo num ambiente jazzístico”, disse o músico, de 43 anos.

Referindo-se à edição do CD, Nuno Silva disse que “é para celebrar um percurso de 20 anos e não tanto a entrada na Metropolitana”.

“Mantermo-nos 20 anos a trabalhar regularmente com uma orquestra é muito exigente. O músico de orquestra não toca aquilo que quer, nem à velocidade que quer, está sempre sujeito à vontade de quem programa, e à decisão do maestro, sobre como se toca”, disse.

Nuno Silva salientou ainda “a peculiaridade do trabalho que se desenvolve na Metropolitana”.

“Na Metropolitana temos um trabalho muito completo, obriga-nos a estar sempre em forma. Podemos tocar a solo com a orquestra, da qual somos músicos, damos aulas, fazemos recitais, tocamos música de câmara, mas é um prazer, pois preenche-nos como músicos e como artistas”, afirmou Nuno Silva.

Este é o segundo CD de Nuno Silva, que sucede a “Swing.pt” gravado com Banda Sinfónica do Exército, sob a batuta do maestro Mitchell Fennell, editado em 2011. Neste CD, editado pela Numérica, o músico gravou, entre outras, peças de Scott McAllister (“Black Dog”) e de George Gershwin (“Summertime”).

Nuno Silva venceu vários concursos nacionais, nomeadamente o de Clarinete e Música de Câmara da Juventude Musical Portuguesa, em 1988, o Nacional de Clarinete de Setúbal, no ano seguinte, o de Clarinete e Música de Câmara (nível superior), no Prémio Jovens Músicos, de 1991, e o Concurso Jovens Solistas, em 1992.

Foi semifinalista do Concurso Internacional Valentino Bucchi, em Roma, em 1992, laureado no Concurso Internacional Aurelian Popa, na Roménia, em 1993, semifinalista do Concurso Internacional de Cracóvia, em 1994.

Estudou com Deinzer e Ingo Goritzky, na Suíça, com uma bolsa do Prémio Jovens Músicos e, em 2002, ficou apurado entre os três semifinalistas em clarinete do Concert Artists Guild em Nova Iorque.

Atualmente é professor na Escola de Música do Conservatório Nacional e na Academia Nacional Superior de Orquestra da Metropolitana, assim como 1.º Clarinete Solista da OML.

Em 2003, a Câmara Municipal do Seixal atribuiu-lhe a medalha de Mérito Cultural e a revista Visão recordou o seu “percurso digno de orgulho nacional”. O musicólogo e crítico Gianluca Campagnolo incluiu-o na sua obra “Great Clarinetists”.