O ministro Adjunto e do Desenvolvimento Regional, Miguel Poiares Maduro, afirmou que tem uma visão “simultaneamente otimista e pessimista” dos media digitais.

Poiares Maduro falou no encerramento da conferência anual da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), que teve como mote “Media na Era Digital”. “Tenho uma visão simultaneamente otimista e pessimista dos media digitais na era digital”, afirmou o governante, destacando que esta sua visão não era uma contradição, mas sim fruto dos incentivos contraditórios que o novo paradigma traz.

“O que esta era digital faz, fundamentalmente, é alterar a estrutura de incentivos”, podendo conduzir a desenvolvimentos positivos e negativos. “Os media são os editores da democracia”, apontou o ministro, acrescentando que a Internet trouxe “uma grande transferência das receitas financeiras para os agregadores” de conteúdos, o que causou problemas com os produtores de conteúdos, além de maior pressão na concorrência.

A utilização de conteúdos noticiosos por agregadores como a Google têm estado em debate na Europa, uma vez que estes beneficiam do trabalho dos media sem pagar os direitos de autor. Pelo lado positivo, o ministro adiantou que o digital traz “menos custos”, já que implica uma produção com custos mais baixos.

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“Até pode permitir uma maior transferência do investimento para a área de produção de conteúdos”, promove mais leitores de notícias, através da multiplicação das plataformas de acesso a conteúdos e permite “novas formas de remuneração de conteúdos”, explicou. “É por estas razões que acho que a médio e longo prazo a sustentabilidade financeira dos media está muito mais garantida do que no passado esteve”, disse.

Isto porque “vão existir novas fontes de receitas comerciais” no futuro, já que a publicidade “vai regressar à comunicação social”, sublinhando o impacto que a simplificação no pagamento online irá ter. O problema, disse, está nos custos de transição dos media atuais que ainda não se ajustaram ao novo modelo de negócio.

“Estes custos de transição têm impacto potencialmente negativo na qualidade do jornalismo”, uma vez que a precariedade dos jornalistas “pode afetar a qualidade do jornalismo”, apontou. “A falta de sustentabilidade dos órgãos da comunicação social, a sua dependência de determinadas fontes de financiamento pode colocar em causa a sua dependência. Tudo isso são os desafios que enfrentamos na transição de modelos”, acrescentou.