Rádio Observador

Diabetes

Primeiro prémio europeu de diabetes para uma cientista portuguesa

673

Joana Gaspar está a fazer pós-doutoramento no Centro de Doenças Crónicas e Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal. O objetivo é prevenir o aparecimento da doença.

Pela primeira vez, o Prémio Europeu em Diabetes para Jovens Investigadores da Federação Internacional de Diabetes foi entregue a um cientista português. O prémio que reconhece o trabalho desenvolvido sobre a diabetes ao longo da carreira de investigação foi atribuído a Joana Gaspar na passada quarta-feira, no Parlamento Europeu em Bruxelas. O prémio de 10 mil euros será doado à Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal, com a qual a investigadora colabora.

“Para mim este prémio é extremamente importante. É uma honra e uma motivação”, diz ao Observador Joana Gaspar. “Mas é um prémio de todas as pessoas que estão envolvidas, porque só é possível graças ao trabalho de equipa.” A investigadora, que se encontra a realizar pós-doutoramento no Centro de Doenças Crónicas da Faculdade de Ciência Médicas da Universidade Nova de Lisboa, fala da equipa “MEDIR: Distúrbios Metabólicos” que desenvolve o trabalho neste centro.

Demonstrar que existem outras moléculas associadas à sensibilidade à insulina permitiria diagnosticar a doença numa fase precoce.

Toda a carreira científica tem sido dedicada à diabetes. Inicialmente trabalhava com a retinopatia diabética – lesão na retina causada pela diabetes que pode levar à cegueira – e com a encefalopatia diabética – relacionando-a com a doença de Alzheimer. Agora investiga que mecanismos, induzidos por uma refeição, provocam sensibilidade à insulina. O grupo tem como hipótese de estudo que haja outros compostos que interferem na sensibilidade à insulina. “É possível que a insulina metabolizada [degradada] no fígado e que as moléculas originadas na degradação aumentem a sensibilidade à insulina, controlando melhor a quantidade de glucose”, explica Joana Gaspar.

Demonstrar que existem outras moléculas associadas à sensibilidade à insulina permitiria diagnosticar a doença numa fase precoce, antes mesmo desta se manifestar – pré-diabetes -, para tentar reverter o processo. “O objetivo primário deste projeto é a prevenção”, indica a investigadora. “Mas neste momento os resultados ainda são muito precoces.” É um estudo translacional, que vai do estudo nas células ao estudo em humanos, passando pelos ratos de laboratório, mas que não prevê, por enquanto uma ligação à produção de medicamentos ou tratamentos.

Apesar da intensa investigação para compreender esta doença, ainda existe um longo caminho a percorrer”, afirma Joana Gaspar.

“A diabetes é a doença crónica endócrina mais comum, afetando milhões de pessoas em todo o mundo. Em Portugal, um em cada dez adultos tem diabetes, sendo muito alarmante o facto de cerca de metade das pessoas com diabetes ainda não ter sido diagnosticada”, refere a investigadora em comunicado de imprensa. “Apesar da intensa investigação para compreender esta doença, ainda existe um longo caminho a percorrer no estudo da diabetes, que continua uma doença sem cura. O facto de ser uma doença silenciosa, multifatorial, e que afeta todos os órgãos, torna deveras estimulante o seu estudo, na medida em que a mais pequena descoberta poderá ter um enorme impacto na vida destas pessoas”.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: vnovais@observador.pt
Saúde Pública

Conhecer e compreender a diabetes

Estevão Pape

135

Sensibilizar os portugueses para a experiência de serem “diabéticos um dia" ou realizar “um dia sem açúcar ou açucarados" irá certamente contribuir para uma vida com menos doença no futuro.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)