Os 16 chefes e subchefes do serviço de urgência do Hospital Prof. Dr. Fernando da Fonseca (Amadora-Sintra) apresentaram esta terça-feira, 25 de novembro, a demissão, depois de o conselho de administração do hospital os ter informado que teriam de passar mais tempo no serviço. Os médicos continuam ao serviço, mas não estão a exercer tarefas burocráticas como, por exemplo, a gestão das escalas.

“Com o aproximar de um eventual pico nas urgências por causa da gripe nós pedimos às chefias da urgência que estivessem em permanência na urgência a partir das 8 horas, assegurando as 24 horas”, explicou ao Observador o assessor de comunicação da instituição, depois de o Expresso ter avançado com a notícia esta tarde.

A mesma fonte revelou que até aqui, apesar do horário de trabalho destes profissionais ter início às 8 horas, estes só chegavam ao serviço de urgência “às 11 horas ou meio-dia pois antes disso iam aos serviços deles ver doentes ou participar em ações de formação”.

Embora a medida tivesse sido apresentada aos médicos como “provisória”, os 16 chefes e subchefes não a aceitaram e acabaram por abandonar as funções de chefia. O assessor de imprensa desdramatiza a situação, frisando que os cuidados aos doentes não fica comprometida “pois eles estão a trabalhar na mesma e a entrar às 8 horas”. Quanto às funções específicas dos chefes – gerir escalas de serviço, assinar ordens de transferência da urgência para o internamento e certificar óbitos -, “à exceção da gestão de escolas, qualquer outra pode ser feito por um médico certificado”.

A urgência do Amadora-Sintra recebe diariamente cerca de 450 doentes e com os picos da gripe chegam aos 600 por dia.

Também o jornal i noticiou esta quarta-feira que a Inspeção Geral das Atividades em Saúde (IGAS) instaurou um inquérito para averiguar denúncias relacionadas com a urgência do Amadora-Sintra. Além da disponibilidade radiologistas no período noturno (que terá já sido resolvida) está também a ser averiguado o facto dos equipamentos estarem obsoletos, assim como a denúncia de que um médico terá sido confrontado por um administrador do hospital se seria mais barato amputar ou colocar uma prótese a um doente. Denúncias que partiram da Ordem dos Médicos.

O assessor de comunicação confirmou que os equipamentos já ultrapassaram a vida útil, uma vez que têm 17 ou mais anos, e que por isso têm muitas avarias. O hospital já fez o pedido de investimento de 1,3 milhões de euros ao Ministério da Saúde, em janeiro de 2013, mas não obteve qualquer resposta até à data. Questionado pelo Observador sobre este assunto, o Ministério da Saúde não respondeu até ao momento.