É daquelas pessoas que não consegue sair de casa sem fazer a cama? Ou só costuma fazer a cama à noite na altura em que se quer deitar? Eva Hidalgo, psicóloga, explica ao El País que há duas maneiras de descrever as pessoas que fazem ou não fazem a cama. As primeiras tendem a ser mais “ativas, perfecionistas e organizadas. Têm objetivos e valorizam o trabalho e o esforço.” As que não fazem “são mais reativas, deixam-se levar pelas tarefas em vez de as gerirem. E procrastinam. Tudo isto pode influenciar de maneira negativa a sua auto-estima.”

“Só faço a cama em alguns fins de semana para ter o quarto com um ar mais arrumado. Mas de manhã nem sequer me lembro de fazer a cama, quando me levanto já tenho o tempo contado. É uma mistura entre preguiça, falta de tempo e esquecimento”, conta ao Observador Inês Fonseca, que é gestora de recursos humanos numa guest house. “Deixo os lençóis sempre para trás, são mudados regularmente e a janela fica aberta. Não considero que seja falta de higiene não fazer a cama”, acrescenta.

A Universidade de Kingston, em Inglaterra, parece dar-lhe razão, um estudo recente conclui que o melhor para lutar contra os ácaros é “não fazer nada”. Isso, o melhor é não fazer a cama. Stephen Pretlove, autor do estudo, explica que os ácaros que se encontram nas nossas camas surgem principalmente causados pelo suor que libertamos enquanto dormimos e que, por isso, se não se fizer a cama e se se deixar a cama aberta será mais fácil que os lençóis sequem e a comunidade que lá habita morra.

Maria Simões, que trabalha no Sheraton, não segue definitivamente as conclusões deste estudo. “Fazer a cama é como lavar os dentes, tem que ser todos os dias”, diz ao Observador. Mesmo com os horários complicados a que o trabalho num hotel obriga, Maria explica que, quer entrando às 6h, ou às 15h, a rotina matinal é sempre a mesma: “De manhã faço sempre a cama. Muito raramente não faço. É muito complicado para mim sair de casa com a cama por fazer. Acho logo que a casa não está limpa e dá a sensação que os lençóis estão demasiado usados e então tenho que os trocar logo.”

Pedro Ojeda, coordenador da Sociedade Espanhola de Alergologia e Imunologia, garante no El País não haver estudos suficientes que comprovem a teoria de Kingston. Esta sociedade espanhola dá empate à competição entre a Maria e a Inês, conclui que fazer a cama ou não fazer não tem qualquer influência na melhoria dos sintomas de alergias.

Fazer a cama diariamente é uma questão de hábito, a maioria das vezes incutido desde a infância, reconhece a psicóloga Eva Hidalgo. Maria Simões concorda: “Fui assim educada desde sempre. Era uma regra. Mesmo tendo empregada todos os dias que fazia as camas, se ela não estava eu tinha que fazer. Lembro-me da minha mãe ir verificar e às vezes desfazer porque não estava bem feita.”

Segundo a psicóloga espanhola, fazer a cama marca o final do tempo de descanso e o início do dia e começar o dia a fazer a cama “fomenta a sensação de ter a capacidade de organização”. Por isso, é prática aconselhável para quem tem baixa auto-estima de maneira a “evitar a apatia e trabalhar na capacidade de controlar a própria vida. Embora não se considere uma terapia é um bom exercício para melhorar a autovalorização.”

Inês explica que não lhe faz “confusão nenhuma ver camas por fazer”. “Sinto-me muito melhor quando entro num quarto com a cama feita, imagino que quem entra no meu quarto tenha a sensação inversa”, diz. Já Maria acha “divertido”. “Dá-me vontade de rir perceber que há pessoas tranquilas em relação a isso”, conta.