“Daria muito gozo a Alberto João Jardim apresentar uma candidatura presidencial, independentemente do sucesso dessa candidatura, como oportunidade de dizer ao país qual o projeto que o país devia seguir para alterar esta trajetória”. Quem o garante é o deputado madeirense Guilherme Silva, que enfrenta um processo disciplinar do PSD por ter votado contra o Orçamento do Estado (OE) para 2015.

Em entrevista à Antena 1, o deputado admite ainda que, antes disso, o presidente do Governo Regional, que abandona dia 12 de janeiro o cargo, possa assumir um lugar de deputado na Assembleia da República. “Seria uma animação ter Alberto João Jardim na Assembleia. Eu gostaria de o ter como companheiro aqui, seria interessante”.

Sobre a polémica em que está envolvido, Guilherme Silva garante que não se demite do cargo de vice-presidente do Parlamento, como quer a direção da bancada pois foi eleito pelo conjunto dos deputados em plenário. E acusa o líder parlamentar, Luís Montenegro, e outros deputados de terem agido como “um bando” na última reunião da bancada. Queria “que respondessemos pelas declarações de Alberto João Jardim, no fundo, estava a dizer ‘vocês vão ter de pagar pelo que disse sobre o Governo e o primeiro-ministro'”. Jardim tem feito várias críticas ao Governo da sua cor política, nomeadamente, que Pedro Passos Coelho é “o maior inimigo” da Madeira nos últimos 40 anos e que o Governo “destruiu a classe média”.

Os deputados da Madeira “estão a apanhar por tabela da crispação entre Alberto João e Passos”, disse.

O deputado contou ainda a “traição” que considera ter havido por parte do secretário de Estado do Orçamento, Hélder Reis, que lhe garantira que, face às novas regras europeias, se o PIB da Madeira baixasse haveria reforço de verbas para a região. Jardim queria que esse compromisso ficasse vertido na lei do OE, mas o Ministério das Finanças recusou-se tendo Hélder Reis ficado de mandar um email ao secretário regional das Finanças. Esse mail, porém, nunca chegou a ser enviado até ao momento da votação e, por isso, os quatro deputados do PSD-Madeira votaram contra o Orçamento, apesar de haver disciplina de voto nestas matérias. Se for condenado no processo disciplinar interno, Guilherme Silva, admite recorrer para o Tribunal Constitucional.