O diretor-geral do Património Cultural, Nuno Vassallo e Silva, disse à Lusa que os concursos internacionais para o restauro dos carrilhões e para as obras necessárias à instalação do Museu da Música, em Mafra, arrancam em 2015. “O concurso internacional para os projetos de especialidade”, relacionados com a mudança do Museu da Música para o Palácio Nacional de Mafra, “arrancam para o ano que vem”, e o restauro dos carrilhões é “imperativo dos imperativos”, disse Nuno Vassallo e Silva à Lusa.

O diretor-geral do Património Cultural defendeu a instalação do Museu da Música em Mafra, contextualizando-o num conjunto patrimonial “único no mundo”, composto pelos carrilhões e os seis órgãos da basílica local, mas não ignora um dos aspetos críticos da instalação do Museu naquele monumento nacional, que é o registo de altos índices de humidade que prejudicam a conservação dos instrumentos e de outras peças. “Sem climatização não podemos pôr lá peça nenhuma”, afirmou Nuno Vassallo e Silva e acrescentou que “o concurso internacional, para os projetos de especialidade, arrancam para o ano que vem”.

Outro concurso internacional a ser lançado em 2015 é o do restauro dos carrilhões, que Vassallo e Silva definiu como um “imperativo”. “O imperativo dos imperativos é a reparação dos carrilhões”, afirmou. “Mafra tem características únicas a nível do Ocidente, e até mundiais, pelos seis órgãos na basílica e os carrilhões, e penso que [o Museu da Música] vai reforçar ainda mais a ida de turistas” ao monumento, disse Nuno Vassallo e Silva à Lusa.

Especialistas internacionais ligados ao restauro de monumentos alertaram, em finais de outubro, para a urgência de uma intervenção nos sinos e carrilhões da basílica do Palácio Nacional de Mafra.

O Museu da Música irá ser instalado na ala sul do Palácio Nacional de Mafra, disse o responsável, garantindo que todos os estudos serão feitos, nomeadamente o de climatização. Especialistas internacionais ligados ao restauro de monumentos alertaram, em finais de outubro, para a urgência de uma intervenção nos sinos e carrilhões da basílica do Palácio Nacional de Mafra, um dos sete exemplos de património cultural edificado mais ameaçados da Europa, segundo a organização não-governamental Europa Nostra.

“O estado dos sinos é muito precário, porque estão seguros por andaimes e o processo de deterioração é bastante visível”, disse à Lusa o membro do comité científico da Europa Nostra Pedro Ponce de Léon, quando da visita técnica ao monumento. “É preciso intervir quanto antes, porque, além de tudo o resto, se está a investir para manter os sinos suspensos e não caírem para o exterior. Quanto mais tarde a intervenção for levada a cabo, mais custos terá”, afirmou então Ponce de Léon.

Vassallo e Silva adiantou que o concurso internacional para as obras no Palácio será aberto no início de 2015, estando concluído o respetivo caderno de encargos, que orça os dois milhões de euros. As obras deverão durar 18 meses. Quanto ao projeto de restauro dos seis órgãos da basílica, recentemente concluído pelo mestre organeiro Dinarte Machado, mereceu um Prémio Europa Nostra em 2012.

Vassallo e Silva realçou que se organizam excursões, nomeadamente do norte da Europa, para assistir aos concertos que se efetuam regularmente nos seis órgãos, defendendo, por isso, que se trata de uma “mais valia” que se conjuga com os carrilhões – a restaurar – e o futuro Museu da Música.

O Museu da Música existe desde 1946 e, depois de ter passado por vários espaços em Lisboa, ficou temporariamente instalado na estação de metropolitano do Alto dos Moinhos.

A instalação do Museu da Música no Palácio Nacional de Mafra inclui, “naturalmente, um arquivo sonoro”, acrescentou Nuno Vassallo e Silva. De acordo com o responsável, “são pertença atual do museu cerca de 15 mil fonogramas, em variadíssimos suportes”. Vassallo e Silva realçou a parceria do Estado com a Câmara de Mafra, para o projeto de instalação do Museu, dando como exemplo de “bom entendimento” com a autarquia, a criação do “arquivo de partituras, recentemente inaugurado”, no auditório municipal Beatriz Costa.

O Museu da Música existe desde 1946 e, depois de ter passado por vários espaços em Lisboa, ficou temporariamente instalado na estação de metropolitano do Alto dos Moinhos.

O Governo anterior anunciou a sua mudança para Évora, para o Convento de São Bento de Cástris, opção que o secretário de Estado da Cultura Francisco José Viegas suspendeu, considerando-a bloqueada, e que o seu sucessor, o atual titular do cargo, Jorge Barreto Xavier, cancelou, confirmando a transferência para Mafra, no início deste ano.

Museu da Música detém “uma das mais ricas colecções da Europa”, de acordo com o seu sítio na Internet, contando com cerca de 1.400 instrumentos.

O Museu da Música detém “uma das mais ricas colecções da Europa”, de acordo com o seu sítio na Internet, contando com cerca de 1.400 instrumentos, entre os quais os cravos de Joaquim José Antunes (1758) e de Pascal Taskin (1782), o piano Boisselot, que o compositor e pianista Franz Liszt trouxe a Lisboa, em 1845, e o violoncelo de Antonio Stradivari, que pertenceu ao rei D. Luís.

O violoncelo de Henry Lockey Hill, de Guilhermina Suggia, os violinos e violoncelos de Joaquim José Galrão, os clavicórdios setecentistas das oficinas lisboetas e portuenses fazem igualmente parte da colecção, assim como os raros cornes ingleses Grenser e Grundman & Floth, do final do século XVIII, e as flautas de Ernesto Frederico Haupt, de meados do século XIX, que são exemplares únicos.

O oboé de Eichentopf, do segundo quartel do século XVIII, assim como os cravos ‘Antunes’ e ‘Taskin’, entre outros instrumentos, são também de “extrema raridade”, segundo a página do museu na Internet. Encontram-se ainda no acervo do Museu da Música, espólios documentais, acervos fonográficos e iconográficos, como os de Alfredo Keil, autor do Hino Nacional. Em 2012, o Museu da Música somou 9.138 visitantes e, no ano passado, 10.600, segundo os dados estatísticos da Direção-Geral do Património Cultural.