Que alterações garante implementar, como futuro líder do PSD/M, no funcionamento do partido, a partir do momento em que assuma o cargo? Como irá democratizá-­lo e integrar os militantes com opiniões diferentes e os ex­-candidatos à liderança?

MIGUEL ALBUQUERQUE — ­ Os militantes do PSD/M nestas eleições internas demonstraram que o partido está mais vivo do que nunca e deram uma lição de maturidade democrática. Acompanharam os múltiplos debates entre as candidaturas, compareceram em grande número às sessões de esclarecimento promovidas pelas candidaturas, votaram em quem entenderam sem problemas, tendo a eleição decorrido na primeira volta com 88 por cento de participação Um número recorde. Quem afirmou ­como Alberto João Jardim ­ que o PSD /M sairia fraturado desta eleição enganou­-se redondamente. O partido hoje está mobilizado e preparado para os desafios políticos que se avizinham.

Como líder do PSD /M pretendo uma renovação de posturas, de atitudes e políticas. Rejeito a prepotência como método e como fim a imposição do pensamento monolítico. Uma prática que fecha os partidos à sociedade e só serve para promover a mediocridade. O PSD /M deve abrir-­se aos militantes e cidadãos, assegurar a colaboração de personalidades prestigiadas do meio académico, empresarial e cultural. Apresentarei uma proposta de alteração estatutária a fim de que o Conselho Regional,­ o órgão mais importante entre congressos, seja eleito no futuro pelo método de Hondt, garantindo assim a livre expressão das diferentes sensibilidades a nível do partido.

MANUEL ANTÓNIO CORREIA – Defendo mudanças de atitude, um partido mais descentralizado e mais próximo dos militantes. É preciso abrir canais aos órgãos locais e voltar a dar mais mais peso às concelhias. Eu próprio farei essa coordenação a cada um dos concelhos. Defendo também que seja aplicado o Método de Hondt para o Conselho Regional do partido, a exemplo que acontece no PSD nacional.

O Congresso de 10 de janeiro será um balanço do passado (o adeus de Jardim) ou um congresso de abertura e de construção do futuro que lance, inclusive, um processo de alteração dos atuais estatutos?

MIGUEL ALBUQUERQUE ­ — Será um Congresso de abertura e de construção do futuro. Uma oportunidade única para o PSD/M renovar os protagonistas e as políticas, mobilizar os seus militantes, ouvir a sociedade e iniciar um caminho para liderar o novo ciclo político que já estamos a viver na Madeira. O PSD/M necessita de reconquistar a confiança dos nossos concidadãos, apresentar um bom programa de governo e um novo horizonte de esperança para os madeirenses e portosantenses, e vencer as eleições regionais que se realizam no próximo ano. Não tenho dúvidas que vamos conseguir.

MANUEL ANTÓNIO CORREIA – Não será um Congresso do passado mas um Congresso virado para o futuro. Eu apresentei-me como um reformador, que sempre o fui. Irei contar com todos os colegas de Partido que me acompanharam neste processo. Óbvio que convidarei Miguel Albuquerque e Sérgio Marques para o governo devido ao seu valor.

Eleito líder, que medidas irá tomar de imediato para que se realizem eleições antecipadas?

MIGUEL ALBUQUERQUE –­ Não serão necessárias grandes medidas. A proposta da realização de eleições antecipadas fazem parte explícita da minha proposta eleitoral e serão sufragadas pelos militantes. É impensável iniciar um novo ciclo político na Região Autónoma sem a base democrática essencial que corporiza toda a legitimidade das políticas e das decisões no nosso regime: o voto livre dos cidadãos.

MANUEL ANTÓNIO CORREIA – Com a demissão do dr. Alberto João Jardim (prevista para 12 de Janeiro) abre­-se o processo (o governo cai, o parlamento é dissolvido pelo Presidente da República), e vamos para eleições antecipadas (provavelmente em abril) na certeza de que continuaremos a lutar por uma maioria absoluta.