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É o cenário que ninguém, em lado nenhum, por norma deseja ver — quando uma espécie deixa de existir e ter representantes no planeta. Ou seja, quando morre o último indivíduo. Hoje a lista de espécies extintas já vai longa — a lista da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla inglesa), por exemplo, calcula que tenham sido 832 nos últimos 50 anos. E, em 2014, houve pelo menos três que se juntaram ao grupo que já não existe em natureza, ou em cativeiro. E uma delas até foi arrasada, na Malásia, por uma cimenteira.

Aconteceu em novembro, quando o habitat da Plectostoma sciaphilum, uma espécie de lesma, foi destruído por uma empresa de cimento. O local era composto, sobretudo, por um aglomerado de rochas calcárias, que acolhia até várias outras espécies de lesmas. O The Guardian, porém, escreveu que apenas os espécimes da Plectostoma sciaphilum — que só ali tinham sido oficialmente registados e vistos — foram extintos.

Lesma

Na altura, a IUCN, em comunicado, avisou que “o futuro de outras espécies na região é incerto devido a razões semelhantes”, mesmo que “algumas empresas mineiras [estivessem] a tomar os passos necessários para reduzir” o seu impacto na natureza. Esta não foi a única espécie que a IUCN considerou como extinta nesse mês.

Dias antes, a entidade dava também conta da extinção do Labidura herculeana, também conhecido por Lacrau Gigante de Santa Helena — que podia medir até 8 centímetros de comprimento e era a maior espécie de lacrau conhecida pelo homem. A Labidura herculeana fora pela primeira vez registada em 1878 por um cientista dinamarquês na ilha de Santa Helena, um território britânico, localizado no Oceano Atlântico, com 122 quilómetros quadrados e pouco mais de 4 mil habitantes. Foi para lá que Napoleão foi enviado depois da derrota do seu exército em Waterloo.

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Um espécime deste lacrau, aliás, já não era avistado desde 1967, embora, entretanto, tivessem sido descobertas partes de corpos de vários indivíduos. “Apesar de existir a magra possibilidade de [o lacrau] ainda persistir em alguma localização remota, as evidências apontam para a extinção da espécie”, escreveu o IUCN, quando oficializou o fim da Labidura herculeana. E razões para a extinção? Além do aumento do número de exemplares de vários dos seus predadores (ratos, aranhas e centopeias) na ilha, também o homem teve mão na destruição de várias zonas rochosas que serviam de habitat à espécie.

A 31 de maio outra espécie extinguiu-se, quando Gump, o último lagarto da ilha do Natal, morreu. Tratava-se de uma fêmea e do último sobrevivente, em cativeiro, da espécie Emoia nativitatis, que apenas existia nesta ilha localizada no Oceano Índico, mas sob jurisdição australiana. O The Conversation chegou a noticiar que foi a primeira espécie de répteis a extinguir-se em território australiano desde o século XVII, quando se efetuou a colonização europeia.

Veremos, agora, como se desenvolverá a conservação de espécies em 2015. A World Wild Life (WWF, na sigla inglesa), uma entidade internacional para a conservação da natureza, presente em mais de uma centena de países, considera que, hoje, existem 16 espécies no reino animal que estão em risco extremo de extinção. Por exemplo: desde 16 de dezembro que apenas há registo de cinco rinocerontes brancos do norte, da espécie Ceratotherium simum cottoni. Todos vivem em cativeiro. E nenhum se está a reproduzir.