Cerca de 73% das espécies do planeta estão em declínio, indica um relatório da organização ambientalista WWF, que aponta a recuperação de algumas espécies para dizer que os esforços de conservação podem produzir bons resultados.
O Relatório Planeta Vivo é uma publicação bienal da WWF (World Wide Fund for Nature) que este ano se intitula “Ciência e Esperança”. No documento de há dois anos já se apontava uma redução média de 73% na dimensão das populações de animais selvagens (mais de 5.000 espécies). Em 2020 e 2022 as reduções eram menores, 68% e 69% respetivamente, subindo bastante em 2024.
Este ano, o valor manteve-se idêntico em relação aos animais selvagens monitorizados, ao longo de 52 anos, com metade das populações estável ou mesmo a aumentar. A organização diz que embora a variação percentual seja consistente com a do relatório anterior, o documento divulgado esta quinta-feira tem dados adicionais sobre as populações e uma série temporal mais longa reforça a dimensão persistente de perda de biodiversidade e o declínio da natureza.
Este ano pela primeira vez o documento também aponta casos concretos de recuperação da natureza, como o da tartaruga-verde, do atum-rabilho, do tigre e do elefante no sul de África. Ou como diz em comunicado a WWF Portugal o caso do lince-ibérico ou da sardinha.
Kirsten Schuijt, diretora-geral da WWF Internacional, afirma no comunicado que os resultados mostram que “a natureza pode recuperar e que a mudança é possível” e acrescenta que para ampliar os sucessos é preciso transformar os sistemas e indústrias que estão na origem da perda de natureza e acelerar mudanças em curso.
O Índice Planeta Vivo (LPI), produzido pela Sociedade Zoológica de Londres (ZSL, na sigla original), inclui 35.803 tendências populacionais de 5.790 espécies de vertebrados, abrangendo o período de 1970 a 2022. O declínio mais acentuado ocorre nos ecossistemas de água doce (-85%), seguidos dos ecossistemas terrestres (-69%) e dos ecossistemas marinhos (-59%).
Em geral, a principal ameaça é a perda e degradação de habitats, seguindo-se a sobre-exploração, as alterações climáticas, a poluição, as espécies invasoras e as doenças.
O relatório nota que a perda de biodiversidade resulta também de falhas sistémicas nos modelos de produção, consumo e financiamento, especialmente nos sistemas alimentar, energético e financeiro.
O sistema alimentar é a principal causa da destruição de habitats e da sobre-exploração de recursos, o energético é um dos principais motores das alterações climáticas, e o sistema financeiro continua a canalizar muito dinheiro para atividades prejudiciais à natureza.
E se no setor energético a transição está a acelerar com as energias limpas, e na alimentação e agricultura há sinais de mudanças, com práticas de produção mais favoráveis à natureza, dietas mais sustentáveis e redução do desperdício alimentar, no sistema financeiro está-se ainda “numa fase inicial” da transformação, aponta a WWF.
Mas o relatório, uma colaboração entre a WWF e a ZSL, também avisa que os valores são uma média global, que oculta detalhes locais, com algumas regiões a perderem vida selvagem muito mais depressa do que outras, havendo também espécies e ecossistemas estáveis ou em recuperação.
O documento refere que cerca de metade das populações acompanhadas pelo índice global está estável ou a aumentar, o que indica que o declínio não é inevitável.
Entre outros exemplos os organizadores destacam o tigre: em 2010 restavam 3.200 tigres selvagens e em 2025 a população era de 5.700.
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