O coordenador do projeto, Ricardo Figueiredo, afirmou à agência Lusa que o Speak – troca de ensinamentos de diferentes línguas e culturas – surgiu para “atenuar” a “exclusão sociocultural do lado das comunidades imigrantes”. A Associação Fazer Avançar, de Leiria quer mesmo alargar o programa a todo o país e internacionalizá-lo no próximo ano.

A “barreira linguística e a falta de oportunidade para o encontro social”, bem como “estigmas e outros preconceitos” relacionados com os imigrantes foram as causas identificadas pela associação Fazer Avançar, que criou o Speak para criar “este intercâmbio de línguas e culturas, onde qualquer pessoa se pode inscrever como aluno, professor ou ambos”.

O Speak começou em Leiria, mas já chegou a Coimbra, Caldas da Rainha e Lisboa. O próximo passo é a internacionalização. “O nosso foco é garantir que o Speak é escalável e tem replicação noutras geografias. Queremos expandir o projeto para o mundo inteiro. Não é ser demasiado ambicioso, mas acreditamos que o conseguimos fazer. Os nossos planos para 2015 são presenças em mais geografias e, em 2016, dar o salto além-fronteiras e levar o Speak para outro país”, revelou Ricardo Figueiredo, afirmando que ainda não existe uma cidade escolhida.

Num momento em que os ataques terroristas estão na ordem do dia, o responsável pelo Speak admite que este tipo de programas assume uma maior importância.

“O programa não serve só para as comunidades imigrantes, mas também para os próprios portugueses terem uma maior abertura a outras culturas. Quando dizemos que é um intercâmbio de línguas é mesmo, porque um português aprende a ser mais tolerante, a ter uma mente mais aberta a novos costumes e culturas e é isso que tentamos promover no Speak, principalmente em situações de crise e destes últimos conflitos”, frisou.

De segunda a quinta-feira, ao final do dia, o Centro Cívico de Leiria recebe duas turmas por dia. Português, japonês, alemão e inglês são as línguas deste primeiro trimestre de 2015, em Leiria.

Natural da Crimeia, Vasyl Bakriev fugiu do conflito entre Ucrânia e Rússia. O jovem está a aprender português. “Vim para o Speak para aprender a língua portuguesa, porque quero ficar em Portugal, sociabilizar-me e no futuro encontrar um bom emprego”, revela à Lusa.

Professora de japonês, Daniela Domingues, conheceu o projeto Speak através de um jornal regional. “Comecei a aprender japonês não há muito tempo e vi que o Speak não tinha essa língua. Como sei que, sobretudo, os jovens gostam muito, achei que seria uma boa aposta. Ia ajudar-me a consolidar melhor os meus conhecimentos e também seria uma forma de atrair alguns japoneses que estivessem em Leiria”.

Foi o que sucedeu com Touko China, a outra professora japonesa, que está a realizar um intercâmbio na Escola Secundária Domingos Sequeira, em Leiria. “Gosto de partilhar a cultura japonesa. Estou a estudar a língua portuguesa, mas é difícil. Esta experiência é um tesouro para o futuro”.

No mês passado, o programa Speak foi distinguido com o prémio ES+, pela Fundação Calouste Gulbenkian, que destaca iniciativas de alto potencial em inovação e empreendedorismo social.