O Pritzker, por norma, é atribuído anualmente a um arquiteto, ainda vivo, para destacar a obra e os feitos conseguidos. É encarado como o mais importante prémio na área. Mas o vencedor de 2015, mesmo sabendo da distinção, não a poderá receber. Porque Frei Otto, alemão que desenhou os tetos suspensos, e em rede, do Estádio Olímpico de Munique, para os Jogos Olímpicos de 1972, faleceu na segunda-feira, aos 89 anos — um dia antes de ser publicamente anunciado como vencedor do prémio.

Frei Otto soube que era o vencedor no início deste ano, quando, conta o New York Times a diretora executiva da Fundação Pritzker, Martha Thorne, voou até Estugarda para informar o arquiteto. “Nunca fiz nada para o merecer. Ganhar prémios não é o meu objetivo de vida. O que me inspirou foi desenhar edifícios para ajudar pessoas pobres, sobretudo após catástrofes e desastres naturais. Usarei o tempo que ainda me resta para continuar a fazer o que tenho feito, que é ajudar a humanidade. Mas o que posso dizer? Estou feliz”, confessou, na altura, de acordo com a nota publicada no site da entidade.

O Pritzker já foi atribuído por duas vezes a arquitetos portugueses: Álvaro Siza Vieira foi distinguido em 1992 e, depois, foi Eduardo Souto de Moura a receber o prémio, em 2011.

Na altura estava já cego, mas de boa saúde, segundo a entidade, que planeava revelar Frei Otto como o vencedor apenas a 23 de março. A morte do arquiteto na segunda-feira, contudo, antecipou o anúncio para o dia seguinte, terça-feira. A cerimónia de entrega do prémio realizar-se-á como previsto, a 15 de maio, em Miami, nos EUA. O diário norte-americano escreveu que o evento contará com intervenções de anteriores vencedores da distinção, que falarão sobre a vida e obra do arquiteto germânico.

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Otto era conhecido, sobretudo, pelos tetos suspenso que cobriram o Estádio Olímpico de Munique, que desenhou para os Jogos Olímpicos que lá se realizaram, em 1972. Antes, já tinha sido responsável pela cobertura do Pavilhão da Alemanha Ocidental, na Expo’1967, realizada em Montreal, no Canadá. Em 2000, quando o mesmo evento foi organizado em Hannover, cidade germânica, o arquiteto também desenhou o Pavilhão do Japão.

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Vista aérea da cobertura desenhada por Frei Otto do Estádio Olímpico de Munique, para os Jogos de 1972. O recinto seria utilizado pelo Bayern de Munique até 2005. Foto: Atelier Frei Otto Warmbronn

O arquiteto nasceu em Siegmer, em 1925, tendo vivido durante grande parte da infância e adolescência em Berlim. Inscreveu-se na Universidade Técnica da cidade em 1943, para estudar arquitetura, mas no mesmo ano foi chamado para cumprir serviço militar, em plena Segunda Guerra Mundial. Acabaria na Luftwaffe, a força aérea germânica, e, em abril de 1945, já perto do final do conflito, foi capturado perto de Chartres, em França. Permaneceria como prisioneiro de guerra durante dois anos, período durante o qual trabalhou como arquiteto num campo de prisioneiros. Em 1948, já libertado, voltou à universidade e formou-se em arquitetura. Retornaria à instituição para, em 1954, se doutorar em Engenharia de Estruturas.

Antes de vencer o Pritzker, Frei Otto fora já distinguido, em 2006, com o Prémio Imperiale, atribuído pela Associação de Arte do Japão. No ano interior foi igualmente galardoado com a Medalha de Ouro do Royal Institute for Architecture of British Architects, do Reino Unido.