O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, responsabilizou esta sexta-feira o PSD, o CDS e o PS pela “situação de desastre social e económico” que se vive Madeira.

“Estes três partidos são inteiramente responsáveis pela situação a que chegou a região, em particular a situação de declínio económico, retrocesso social e dependência externa a que o país foi conduzido”, sustentou o líder comunista, ao discursar num jantar-comício na Serra de Água, Ribeira Brava, que marcou o arranque da campanha eleitoral da CDU para as eleições regionais de 29 de março.

Jerónimo de Sousa lembrou que a “exploração, o desemprego, a pobreza, as crescentes injustiças sociais não são nem uma fatalidade, nem obra do acaso, resultaram de uma política que teve o PSD-Madeira como principal executor e que contou sempre, mas sempre, cá e lá, com o apoio do PS e do CDS”.

“Temos consciência da importância destas eleições e do que elas podem representar na luta pela rutura com a política que arrastou a região para a situação de desastre social e económico que hoje se conhece”, realçou.

O dirigente comunista lembrou que foi assim na relação com os sucessivos governos, e de forma mais evidente com os PEC (Planos de Estabilidade e Crescimento) do governo PS e com o Pacto de Agressão subscrito pelas troykas nacional e estrangeira e, sobretudo, com o Programa de Agressão à região que PS, PSD e CDS aceitaram”.

“Bem pode agora o PSD-Madeira fingir que, por ter mudado de líder, não tem nada a ver com o que se passou, fingir até que não tem nada a ver com Passos Coelho e o governo PSD/CDS”, gracejou.

Jerónimo de Sousa sustentou que “no boletim de voto bem se poderia juntar mais um, PSD, PS e CDS podiam lá pôr um feijão-frade para expressar a sua política e o seu posicionamento de duas caras, tal como o feijão-frade”.

“Chegada a hora das eleições, aí estão todos os outros, uns que nunca por cá se viram ou, tendo-se visto, é como se não tivessem passado por cá, a vender ilusões, a fazer umas tropelias para ganhar uns quantos votos ou, até mesmo, a concorrer só para porem no boletim de voto um símbolo parecido com o do PCP [PCTP/MRPP, que figura em primeiro lugar no boletim de voto] para verem se, assim, levam ao engano os eleitores”, comentou.

O cabeça de lista da CDU às eleições legislativas regionais antecipadas de 29 de março, Edgar Silva, referiu por seu lado que a coligação “está à beira” de alcançar um resultado “como até hoje nunca tinha tido no parlamento regional”.

Edgar Silva avisou, contudo, que o eleitorado não pode fazer confusão com o primeiro partido no boletim de voto [PCTP/MRPP]: “votar bem é na CDU, é na foice, no martelo e na florzinha que é o girassol”.

O melhor resultado da CDU foi nas eleições de 17 de outubro de 2004 que, com 7.590 votantes (5,51 por cento), elegeu dois dos 68 deputados da Assembleia Legislativa da Madeira.

O Tribunal da Comarca da Madeira admitiu às eleições legislativas da Madeira de 29 de março onze listas, sendo oito partidos (PSD, CDS, BE, JPP, PNR, MAS, PND e PCTP/MRPP) e três coligações.

Mudança (PS/PTP/MPT/PAN), CDU (PCP/PEV) e a Plataforma de Cidadãos (PPM/PDA) são as coligações que vão a votos.

As eleições antecipadas de 29 de março na Madeira acontecem na sequência do pedido de exoneração apresentado pelo presidente do Governo Regional, Alberto João Jardim, depois de ter sido substituído na liderança do partido maioritário (PSD) por Miguel Albuquerque.