António Costa quer uma maioria absoluta para não ficar condicionado pelo Presidente da República. É isto que o secretário-geral do PS vai levar os próximos seis meses, até às eleições legislativas, a dizer. Com as sondagens a mostrarem o PS à frente, mas sem maioria absoluta, Costa desvenda o jogo de coligações que está disposto (ou não) a fazer. O líder socialista sente que o partido está a ser “empurrado” para coligações e por isso pede maioria absoluta para não ser condicionado “por jogos políticos na Assembleia da República ou condicionados pelo Presidente da República”.

No Porto, em dia de eleições regionais na Madeira, onde o PS conheceu uma pesada derrota, António Costa pediu, uma maioria absoluta, mas não “pela mesquinha vontade de [ter] mais deputados do que os outros”, mas “porque [quer] que o Governo seja formado por decisão dos portugueses e não pelos jogos políticos na Assembleia da República ou condicionados pelo Presidente da República”. Perante uma casa cheia, Costa admitiu que há quem queira “empurrar” o partido para coligações, mas sublinhou que “o PS não é um partido de aviário feito à última da hora, é um grande partido nacional, é um grande partido popular”.

A possibilidade de coligações pós-eleições tem-se colocado tendo em conta o resultado das sondagens, dando PS e PSD/CDS muito próximos e sem que nenhum alcance a maioria absoluta. Passos Coelho disse recentemente numa entrevista ao Expresso que “não fechava nenhuma porta” quando a pergunta é sobre um possível bloco central.

Já António Costa recusa a formação de alianças com a atual liderança da maioria. “Há uma coisa que temos de dizer olhos nos olhos aos portugueses: a razão de ser do PS não é prosseguirmos nós a política dos outros, não é prosseguirmos nós a política que falhou, a nossa missão é fazer aquilo que os portugueses desejam”, disse António Costa, que falou após o líder da distrital socialista do Porto, José Luís Carneiro, e o recém-eleito dirigente da concelhia do Porto, Tiago Barbosa Ribeiro.

“Deve ter sido o porteiro”

O secretário-geral do Partido Socialista (PS), António Costa, criticou este domingo o Governo por não assumir a responsabilidade em diversos casos e ironizou que “foi, com certeza, o porteiro que criou a ‘lista VIP'” do Fisco.

“O primeiro-ministro foi logo o primeiro a ir ao parlamento dizer ‘não existe’. A ministra das Finanças não disse nada durante várias semanas, porque está a fazer o seu currículo. O secretário de Estado [dos Assuntos Fiscais], pelos vistos, também não tem nada a ver com a história. O diretor-geral [da Autoridade Tributária] também não, o subdiretor-geral também não. Deve ser o porteiro”, afirmou António Costa, perante um Rivoli — Teatro Municipal cheio, no Porto.

“O que eu pergunto é se, com tantos casos, com tantas trapalhadas, com tantas confusões, não haverá nada que seja da responsabilidade deste Governo? É tudo culpa dos outros? Não é aceitável esta política de passa-culpas”, disse o dirigente socialista.