Beijo esquimó ou japonês, beijo ‘selinho’ ou francês, beijo borboleta ou drácula, beijo inclinado ou simplesmente um beijo na bochecha. São inúmeras as formas desta demonstração de carinho que consiste em tocar com os lábios outra pessoa. Hoje celebra-se o Dia do Beijo. Todos os tipos de beijos. E há muito para saber sobre eles.

Primeiro: a origem. Afinal, quando é que começou o hábito de beijar? Este é um ato que não é exclusivo dos seres humanos. A inspiração virá das mães de várias espécies de animais que alimentavam os filhotes ao transferir a comida da própria boca para a da cria. Claro que entre os seres humanos, o ato de beijar ganhou outras conotações: mostrar o apreço por terceiros ou simplesmente cumprimentar. Estes significados são ensinados aos filhos logo durante os cuidados maternais.

Depois: as benesses. Beijar faz bem à saúde. Ponto. É mesmo assim. E não falta quem o demonstre.

Segundo Matthew Messina, um dentista norte-americano, a produção de saliva aumenta durante o beijo e isso ajuda a combater as bactérias e vírus que se encontram na boca. Nada pois que faça mal. Mesmo que num beijo entre dois apaixonados se transferiram até 250 vírus e bactérias e que a saliva da outra pessoa permaneça na boca alheia durante três dias.

Mas estes números não o devem mesmo assustar: o sistema imunitário das pessoas que se beijam tende a fortalecer-se. Um estudo holandês indica que um casal que se beija durante 30 minutos pode aumentar o número de células imunitárias contra determinadas alergias, bem como o número de proteínas que combatem os sintomas dessas alergias.

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Outra vantagem é que emagrece. Pelo menos, contribui para isso: um beijo nos lábios ajuda a queimar entre duas e seis calorias, dependendo da intensidade, visto que permite que 29 músculos faciais se movam.

Já um beijo apaixonado exerce uma pressão equivalente a 12 kg nos lábios e aumenta os batimentos cardíacos para 150 vezes por minuto. Isto significa que o coração bombeia um litro de sangue a mais do que é normal. Por isso, quanto mais beijar menos probabilidade tem de desenvolver doenças do foro cardiovascular ou de sofrer insónias e enxaquecas.

E um beijo alivia também o stress: durante o ato de beijar, o cérebro produz maiores níveis de oxitocina e de dopamina, hormonas relacionadas com o amor, com a excitação sexual e com empatia, e menores quantidades de cortisol, substância que nos torna mais stressados e ansiosos.

Mas há ainda mais: o beijo pode ajudar (e muito) a escolha de um parceiro sexual, segundo Margarida Braga do Departamento de Psicologia Médica da Universidade do Porto. A mesma psicóloga acredita que “cabe às fêmeas escolher o seu parceiro para procriar e que têm uma obrigação filogenética de encontrar um bom companheiro”, e isso passa muito pela forma de quem beija, como beija e se o seu beijo é apreciado.

Apesar de 90% da espécie humana utilizar o beijo para demonstrar carinho, nem toda a gente aprecia esse hábito. A filemafobia é o medo que algumas pessoas têm de beijar ou serem beijados, principalmente se for na boca.

A história que alguns beijos escondem

Marinheiro e enfermeira celebram o fim da II Guerra Mundial

VJ Day in Times Square

Agosto de 1945 foi um mês negro para o Japão. No dia 6 os EUA lançaram a bomba nuclear sobre Hiroshima e apenas três dias depois aconteceu Nagasaki. A 8 foram invadidos, na sequência do rompimento do pacto Nipo-Soviético. Estes acontecimentos levaram o Imperador Hirohito a anunciar a rendição. O mote para que dia 14 o presidente americano Harry Truman anunciasse o fim da II Guerra Mundial. As ruas dos Estados Unidos encheram-se de militares e civis que celebravam. Alfred Eisenstaedt, fotojornalista, não quis perder os festejos. A Primeira Guerra já lhe tinha deixado muitas marcas psicológicas e físicas, mas ainda chegou a viajar para o Japão para fotografar o efeito das bombas atómicas. Quando também ele saiu à rua em festa, a sua objetiva captou a imagem de um marinheiro norte-americano debruçado sobre uma jovem mulher desconhecida, vestida de branco (uma enfermeira) enquanto a beijava. A imagem foi publicada uma semana depois pela revista Life, numa secção onde se juntaram 12 fotografias sobre o final da guerra, e tornou-se icónica.

Tornou-se um símbolo da celebração do fim da guerra, o beijo entre aquele militar e a enfermeira que com ele se cruzara na Praça mais movimentada de Nova Iorque, Times Square.

Em 1970, Edith Shain escreveu ao fotógrafo dizendo que era a mulher que protagonizava a famosa fotografia. Ela era enfermeira e estava de serviço quando ouviu a notícia na rádio. Saiu para a rua e foi beijada pelo marinheiro. E quem era o militar? Chamava-se George Mendonsa e era descendente de um português do arquipélago da Madeira.

 

Paris, Cidade do Amor encenado no Hôtel de Ville

Le Baiser de l'Hôtel de Ville

Em 1950, Robert Doisneau estava sentado num café da Rue de Rivoli. Em frente ao Hôtel de Ville, um casal despede-se com um beijo apaixonado no meio da multidão. O fotógrafo captou o momento e entregou-a à Life, para um artigo sobre o amor em Paris.

Uns anos mais tarde, a imagem ficou envolta em controvérsia: algumas pessoas acreditavam na espontaneidade do momento, mas outras afirmaram que a imagem tinha sido encenada. Doisneau chegou mesmo a ser processado por diversos casais que diziam ser os protagonistas da fotografia… e revelou a verdade: o momento tinha sido combinado com Françoise Bornet e Jacques Carteaud, que estudavam teatro na altura.