Os trabalhadores da Galp manifestaram-se esta quinta-feira junto à sede da empresa onde decorre a assembleia-geral para eleição do novo presidente executivo e anunciaram a intenção de realizar greves porque a petrolífera se recusou a negociar salários.

Os trabalhadores, cerca de três dezenas, concentrados em Lisboa, entregaram uma carta aos acionistas da Galp Energia anunciando que vão realizar plenários “para aprovação de greve a iniciar no próximo mês de maio”, tendo como base o argumento de que a empresa, só nos últimos quatro anos, acumulou lucros de 1.294 milhões de euros e se recusa a negociar a atualização dos salários.

Hélder Guerreiro, membro da Comissão de Trabalhadores e líder sindical, afirmou que existe “um escândalo escondido pela administração”, que são os dividendos distribuídos aos acionistas no valor de 892 milhões de euros nos últimos quatro anos, enquanto para os trabalhadores os aumentos salariais não aconteceram ou foram iguais à inflação.

“A administração disse que vai distribuir 35 cêntimos por ação de acordo com a política de remuneração de capital aprovada”, referiu Hélder Guerreiro, acrescentando que “35 cêntimos cabem num porta-moedas, mas se se multiplicar por 8 mil milhões de ações, dá a módica quantia de 286,5 milhões de euros”.

Assim, os trabalhadores reclamam “justiça, o que implica uma justa distribuição da riqueza que eles produzem todos os dias na empresa”.

A carta endereçada aos acionistas que, no momento estavam a realizar, em Lisboa, a assembleia-geral para a eleição do novo Conselho de Administração, liderado por Américo Amorim, e no qual será eleito o novo presidente executivo Carlos Gomes da Silva, acusava a anterior administração, comandada por Ferreira de Oliveira, de ter lançado “uma ofensiva sem precedentes contra os direitos laborais e sociais dos trabalhadores, incluindo a pretensão de desmantelar os atuais regimes de saúde e de reformas”.

O futuro presidente executivo da Galp, Gomes da Silva, deverá hoje assumir o cargo após a assembleia-geral, onde serão votados os novos órgãos sociais, sendo que Ferreira de Oliveira despede-se com uma nota de louvor dos acionistas.

A Galp Energia anunciou a 20 de março a proposta do acionista principal, a Amorim Energia, para a nova administração da empresa para os próximos quatro anos, em que as alterações mais fundamentais foram a substituição de Ferreira de Oliveira, na petrolífera desde 2007, por Carlos Gomes da Silva na presidência executiva e a saída de Palha da Silva, que assumiu recentemente a presidência do conselho fiscal da Tranquilidade.

Américo Amorim afirmou, na altura, que pretendia propor a liderança da equipa executiva a Carlos Gomes da Silva, “que anteriormente exerceu várias funções diretivas na Galp Energia e é seu administrador executivo desde 2008”, considerando-o um “profissional com profundo conhecimento da empresa e dos seus negócios”.

O novo presidente da Galp Energia terá um orçamento anual entre os 1,2 e 1,4 mil milhões de euros para investir, sobretudo na exploração e produção de petróleo e gás natural no Brasil e em Moçambique.