“O Airbus A380, o maior avião comercial do mundo, descolou hoje a meio da manhã da pista do aeroporto de Toulouse-Blagnac, em França, para o seu primeiro voo experimental”. O dia era 27 de abril de 2005. A tentativa por parte da europeia Airbus de fazer frente à americana Boeing teve direito a ecrã gigante na praça do Capitole, no centro de Toulouse, e a 50 mil convidados, no aeroporto. 10 anos depois, questiona-se o futuro do SuperJumbo.

Entre o voo experimental e a introdução no mercado do A380 ainda foi preciso esperar mais de dois anos. Hoje, o SuperJumbo, como também é chamado, tem cerca de 100 rotas e voa para 45 destinos. Dentro do avião de dois andares cabem até 853 passageiros. “Uma década depois, a visão e a paixão da companhia pela aviação mantêm o A380 na vanguarda – fornecendo um grande avião comercial a jato que, mais do que nunca, corresponde às novas expectativas dos passageiros (…) enquanto gera receitas significativas para os operadores”, escreve a Airbus, para assinalar a data.

The giant double-decker Airbus A380, the world's largest commercial airliner, lands, 27 April 2005 on the tarmac of Toulouse-Blagnac's airport. In a momentous gamble for Airbus Industries, the European aircraft maker that has punched its way to the top of the civil aircraft industry, the new plane challenges the Boeing 747's long dominance of the jumbo jet market. AFP PHOTO GEORGES GOBET (Photo credit should read GEORGES GOBET/AFP/Getty Images)

A primeira aterragem do A380, a 27 de abril de 2005. ©GEORGES GOBET/AFP/Getty Images

No entanto, o entusiasmo demonstrado naquele 27 de abril de 2005 não é o mesmo 10 anos depois. “A fabricante de aviões europeia até agora tem tido poucos motivos para celebrar, já que tem batalhado para conseguir vendas para a estrela da companhia”, escreveu este mês o Wall Street Journal. De acordo com a empresa, até hoje foram vendidos 317 aviões, para 18 clientes. As previsões iniciais da empresa eram conquistar metade do mercado de aviões de grande porte até 2020, ou seja, cerca de 1550 aviões.

“Atrasos no desenvolvimento e na produção, uma profunda crise financeira e mudanças nas preferências aéreas têm impedido os esforços da Airbus para vender o maior avião de passageiros do mundo”, acrescenta o jornal norte-americano. O preço de cada aparelho situa-se perto dos 400 milhões de euros.

Harald Wilhelm, diretor financeiro da Airbus, admitiu em dezembro do ano passado que a produção do A380 pode parar até 2020 se as encomendas não melhorarem. No entanto, desde essa altura que a Airbus tem lutado para fazer desaparecer essa ideia. Chegará ao 20.º aniversário?