Inteligência, coragem e formação são características comuns a qualquer astronauta, mas um estudo revela que a viagem ao espaço deixa sérias mazelas no raciocínio dos exploradores espaciais.

A Universidade da Califórnia e a Universidade de Nevada expuseram ratos a uma radiação feita de oxigénio e átomos de titânio, composição semelhante à dos raios gama a que os humanos ficam expostos a caminho de Marte. Após seis semanas de exposição, testes cognitivos revelaram que os ratos irradiados ficam menos interessados em objetos que já conhecem e perdem a curiosidade em relação a novos objetos.

“Os animais estudados revelaram uma inesperada sensibilidade nos neurónios maduros do cérebro às partículas do espaço”, lê-se no resumo do estudo publicado no Science Advances.

“Após expor ratos a partículas semelhantes às dos espaço, foi registado uma diminuição significativa no desempenho e cortical e no hipocampo”, está escrito no estudo publicado, que demonstra a forma como a radiação danifica as raízes dos neurónios. Essas raízes, e as ligações que formam, são vitais para um funcionamento apropriado do cérebro. Aliás, perder as raízes dos neurónios está associado à doença de Alzheimer nos humanos.

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Este estudo vem na sequência da primeira viagem espacial a Marte com tripulação humana. O estudo mostra que seis semanas no espaço não afetam o cérebro de pessoas inteligentes, fisicamente e psicologicamente preparados, mas esta é uma missão que, de acordo com um estudo de Wernher von Braun, falecido cientista dos anos 70 da NASA, pode demorar entre 245 dias e 450 dias. Por isso, a exposição aos raios cósmicos e outra radiação ionizada preocupa, pois especula-se que uma viagem destas ronda os 0.66 sieverts, a unidade de medida da radiação ionizada, enquanto o limite na carreira de um astronauta é de 1 sievert.

A radiação espacial é perigosa porque danifica tecidos e células irreparáveis. As partículas ionizadas são como balas dentro de balas: a bala grande entrea dentro da célula ou tecido, e ainda consegue disparar mais balas pequeninas dentro da célula.

De acordo com declarações à revista Quartz, Charles Limoli, cientista que liderou o estudo, acredita que não há escapatória possível e que qualquer barreira ou proteção tornam a viagem demasiado caros. Mas medidas preventivas existem: acolchoar os quartos e áreas de descanso ou usar a urina ou o excremento dos astronautas como escudo da aeronave contra as radiações.