“A L’Oréal precisa de pele humana.” É assim que arranca o artigo do espanhol El País que conta que a gigante no mercado dos cosméticos vai começar a realizar impressões em 3D de tecidos vivos. No início deste mês, a empresa francesa anunciou a sua associação à start up Organovo — baseada em San Diego, que há oito anos que desenvolve tecidos tridimensionais e é, por isso, especializada na impressão de componentes orgânicos.

A ideia é fazer impressões em 3D de tecidos vivos que possam depois ser utilizados para provar a eficácia dos produtos da marca, em vez dos habituais testes em animais. A L’Oréal pretende, então, simplificar e automatizar a produção de pele num espaço de cinco anos, sendo que a investigação para o projeto terá lugar nos laboratórios da Organovo, bem como no novo centro de pesquisa da empresa de cosméticos, situado na Califórnia.

Esta será a primeira aplicação da tecnologia em questão na indústria da beleza, de acordo com um comunicado da empresa enviado às redações, citado pelo norte-americano Washington Post. Desde que a União Europeia baniu testes em animais, em 2013, que a criação de pele em laboratório tornou-se numa necessidade crescente no universo dos cosméticos. Agora, as impressões em 3D podem render maiores quantidades de pele à L’Oréal.

Acrescente-se que esta não é a primeira incursão da L’Oréal na produção de pele, adianta ainda o jornal espanhol, até porque a empresa começou a fazê-lo na década de 1980. O processo atual é feito à mão, pelo que a L’Oréal tem cerca de 60 cientistas a trabalhar só em Lyon, França, com instalações próprias do tamanho de três piscinas olímpicas. Ali cultivam-se mais de 10 mil amostras de pele por ano.

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