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A Academia dos Champs (ADC) nasceu em 2009 como o objetivo de integrar crianças e jovens numa situação de vulnerabilidade social. Desde então, o projeto cresceu e conta já com cinco núcleos em vários pontos do país. O objetivo é expandir a Academia, mas também consolidá-la.

António Champalimaud foi o mentor do projeto. Amante de desporto e antigo atleta federado, viu no ténis um meio para chegar aos locais onde a ajuda é necessária. Mas a escolha não foi apenas pessoal. O ténis, “um desporto normalmente elitista”, nem sempre é acessível. São poucas as escolas (ou bairros) onde existem condições para incentivar a sua prática.

Na Academia, porém, não existe esta diferenciação — “tudo depende da vontade de aprender” de cada um, como explicou ao Observador a porta-voz da ACD, Fabiana Baumann. O objetivo “é utilizar o desporto para trabalhar com crianças com problemáticas diversas”, como as carências económicas. “Se lhe falarmos em psicólogos, elas fogem. Assim é mais fácil”, admitiu Fabiana.

O primeiro núcleo foi criado na Portela, na Outurela. Seguiram-se os centros de Bicesse, no Estoril, de Trajouce e de Alcabideche, em Cascais, e da Maia. Em breve será também inaugurado o núcleo de Quarteira, o primeiro na zona do Algarve. Para a porta-voz da iniciativa, este é um primeiro passo importante.

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“No Algarve não há tantos projetos de âmbito social como na zona de Lisboa e a rede de transportes não é tão boa”. Por causa disso, muitas crianças não têm como frequentar atividades extracurriculares. “Não têm como se deslocar”, explicou.

Em todos os núcleos é aplicado o mesmo método, que é ajustado consoante as necessidades. “Falamos com a autarquia, que depois nos fornece o espaço”, referiu Fabiana Baumann. É também a Câmara Municipal que identifica os locais mais problemáticos e onde é necessária a atuação da Academia. “O trabalho é feito em conjunto com os técnicos sociais, que trabalham diretamente com as famílias”.

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À partida qualquer criança numa situação vulnerável pode juntar-se à Academia, mas a seleção costuma ser feita pelos parceiros sociais. Ao todo a associação abrange atualmente 150 crianças, com idades compreendidas entre os 6 e os 18 anos de idade.

A ADC funciona como qualquer escola de ténis. Existem aulas regulares — com professores acreditados pela Federação Portuguesa de Ténis (FPT) — e vários torneiros internos. Ao longo do ano letivo são realizados dois torneiros por cada núcleo e dois inter-núcleos. “As crianças têm aulas como numa academia”, frisou Fabiana. “São aulas a sério”.

A parceria formada com a FPT permitiu à Academia federar o primeiro aluno em 2014. A aposta foi um sucesso e, este ano, já estão outros seis “champs” em lista. Mais recentemente, a colaboração com o Club Internacional Foot-Ball (CIF) veio permitir que os alunos de Lisboa treinem diretamente com atletas profissionais.

Para além das aulas os jovens podem ainda ter acesso a uma formação complementar, que inclui cursos diversos, como o de monitor de ténis, de encordoamento de raquetes, de arbitragem ou de apanha bolas. Estes, para além de abrirem caminho para uma possível carreira profissional dentro da área do ténis, servem também para mostrar às crianças “que podem vencer”.

“Muitas destas crianças têm uma falta de auto-confiança e de auto-estima muito grandes”, disse Fabiana Baumann ao Observador. “Ao mostrar-lhes que é possível ter sucesso no campo do desporto, estamos a incentivá-las noutras áreas da vida. Estamos a dizer-lhes que podem vencer, que são capazes”.

Para além do trabalho feito na área do desporto, a Academia desenvolve também outras atividades no âmbito escolar e social. A saúde é também uma das áreas complementares à ação da ADC.

Uma boa parte deste trabalho é desenvolvido pelos vários parceiros da associação, que trabalham em conjunto com a equipa de ação e de apoio social da ADC. Um desses parceiros é a Academia do Futuro, uma associação educativa que presta serviços de formação. Para além de dar apoio escolar aos alunos, a Academia do Futuro desempenha uma função fundamental — ensina os “champs” a estudar.

“Muitas destas crianças não recebem apoio por parte dos pais” nesta área. “Não sabem estudar, não têm método de estudo nem de trabalho”, referiu a porta-voz da Academia dos Champs. “O que tentamos é ir para além do desporto”.

Apesar do trabalho desenvolvido pela ADC e pelos seus parceiros, nem sempre é possível “reunir as condições necessárias para um acompanhamento de qualidade”. As necessidades são muitas e, por vezes, não há maneira de as socorrer na totalidade.

“São constantemente identificadas zonas em que o nosso projeto faria todo o sentido, mas nem sempre há a possibilidade de se reunirem todas as condições necessárias para um acompanhamento de qualidade”, referiu António Champalimaud num comunicado. “O envolvimento dos parceiros é crucial para a implementação do projeto em novas áreas do país. Tem sido essa vontade que nos tem levado a superar constantemente os desafios”.

No que diz respeito ao financiamento, a Academia está dependente da ajuda do mentor e dos vários parceiros, que contribuem com bens financeiros e materiais. Porém, qualquer pessoa pode ajudar. E há várias formas de o fazer.

Para além de ser possível doar bens materiais — como bolas, raquetes e outros equipamentos de ténis — ou financeiros, existe também a possibilidade de apadrinhar a causa ou de contribuir com uma quantia mensal. Para além disso, há ainda a hipótese de contribuir através da compra de merchandising oficial, à venda no site da associação, e através do IRS.