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Arte Contemporânea

Polémica em Versalhes com “vagina” de Anish Kapoor

"A vagina da rainha", do escultor Anish Kapoor, exposta no Palácio de Versalhes está a causar polémica. Joana Vasconcelos, que não pode expor o lustre de tampões, fala em liberdade de expressão.

Anish Kapoor é talvez o escultor mais influente da sua geração

‏@FADwebsite/Twitter

França foi o país que nos deu a obra “A Origem do Mundo” de Gustave Courbet. A pintura (muito) realista mostra uma mulher nua deitada numa cama, com as pernas abertas e a intimidade exposta ao mundo, mundo que, segundo Courbert, terá criado. Agora, o mesmo país está em choque com a instalação do artista indiano e inglês Anish Kapoor nos jardins do Palácio de Versalhes. A obra “Dirty Corner”, descrita como “a vagina da rainha”, está a causar polémica sobretudo nos círculos conservadores franceses, contaGuardian. A controvérsia surge três anos depois de a peça “A Noiva”, o imponente lustre de tampões de Joana Vasconcelos – a primeira mulher e a primeiro portuguesa a expor em Versalhes – ter sido censurada.

“As estruturas de poder ainda querem controlar os artistas”, declarou Joana Vasconcelos, uma das mais conceituadas artistas contemporâneas da atualidade, esta sexta-feira em conversa com o Observador. “Este é um tema muito importante. A liberdade de expressão não é totalmente verdade para os artistas”, diz Joana Vasconcelos, a artista convidada para a grande exposição anual do Palácio de Versalhes em 2012. Mas enquanto Kapoor irá apenas redecorar os jardins do edifício, a partir da próxima semana e até 1 de novembro, a exposição da artista portuguesa estendeu-se a todo o interior do Palácio.

O “Lilicoptère” na Salle 1830 do Palácio de Versalhes, em 2012:

A instalação de Anish Kapoor é um grande funil de aço colocado no meio pedras quebradas, com a abertura virada para a entrada do Palácio. O debate já está aceso e paira a questão: “Será que a instalação se assemelha realmente a uma vagina real?”. E “a que rainha poderá pertencer?”. Segundo o jornal inglês, fala-se em Marie Antoinette a mulher do rei Louis XVI.

O presidente da Câmara de Versalhes, François de Mazières, do partido de direita “republicano” de Nicolas Sarkozy, já escreveu um tweet a mostrar o seu descontentamento. “Anish Kapoor escorregou sobre o relvado”, lê-se na mensagem do Twitter, dando a entender que Kapoor se terá “despistado” com o trabalho.

O jornal diário parisiense Le Parisien, apesar de descrever Kapoor como um “provocateur genial”, afirma que o público em Versalhes não ficou bem impressionado pela “vagina gigante”, descontextualizada do estilo formal do Palácio. Sem querer “obviamente” criticar Kapoor, Joana Vasconcelos afirmou ao Observador que é preciso ter em conta que “Versalhes é um sítio muito conservador”.

Na altura em que “A Noiva” foi banida da exposição, por “não se adequar ao local”, a artista portuguesa afirmou em entrevista ao Diário de Notícias que:

… esta recusa prova que “há ainda muita coisa para fazer” enquanto o tampão for “um objeto vetado pela sociedade” e se sinta que há “locais” onde “não é correto” ser apresentado, porque significa uma libertação da mulher”.

Anis Kapoor é o mais recente artista contemporâneo convidado para expor no Palácio de Versalhes. Talvez o escultor mais influente da sua geração, Kapoor mistura engenharia com escultura sempre num registo avant-garde e colorido.

Por curiosidade, fica a obra de “A Origem do Mundo” de Gustave Courbet:

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