À medida que vão sendo conhecidos novos dados sobre o escândalo que levou à detenção de sete dirigentes da FIFA por suspeitas de corrupção, o castelo de cartas de Joseph Blatter vai caindo carta após carta. Desta vez, há notícias que dão conta de que o suíço terá mesmo discutido um suborno de 10 milhões de dólares com o então Presidente da África do Sul,  Thabo Mbeki.

A história começou por ser avançada pelo jornal britânico Sunday Times, que teve acesso a um email comprometedor trocado entre o secretário-geral da FIFA, o francês Jérôme Valcke, e o vice-ministro das Finanças sul africano, Jabu Moleketi, com o conhecimento (Cc) de Markus Kettner, dirigente da FIFA. Nessa troca de correspondência, Jerôme Valcke surge, aparentemente, a pedir satisfações ao governante sul-africano pela demora na transferência do alegado suborno. “Gostaria de saber quando é que a transferência pode ser feita”, escreveu o francês a 7 dezembro de 2007.

Mais revelador ainda, foi a referência clara à participação de Joseph Blatter nas negociações. “Isto [esta pergunta] baseia-se numa discussão entre a FIFA e o Governo da África do Sul e também entre o nosso presidente [Joseph Blatter] e o Presidente Mbeki”. Os 10 milhões de euros terão sido depois transferidos para uma conta do antigo vice-presidente da FIFA Jack Warner, que está, neste momento, a colaborar com as autoridades.

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Email divulgado pelo jornal Sunday Times

As notícias sobre o suposto suborno do Governo sul-africano em troca da organização do Mundial de 2010 começaram a circular poucos dias depois da detenção dos altos dirigentes da FIFA, mas foram prontamente desmentidas pela organização. A FIFA esclareceu que os 10 milhões de dólares [cerca de 9,1 milhões de euros] se referiam “a um projeto de desenvolvimento do futebol nas Caraíbas”. Mais: “nem Jérôme Valcke nem qualquer outro alto responsável da FIFA estiveram envolvidos neste projeto”, garantiu o organismo.

No entanto, este email, embora não fale expressamente em valores ou quantias monetárias, parece apontar para a existência de um acordo entre o responsável máximo pela FIFA e o governo sul africano. Resta saber se será o suficiente para construir um caso contra Blatter. A revelação do email surge pouco tempo depois de Ismail Bhamjee, um membro do comité executivo da FIFA, ter sido escutado a dizer que acreditava que Marrocos tinha tido mais votos do que a África do Sul para ser a sede do Mundial 2010, mas, segundo Bhamjee, a FIFA terá manipulado os resultados das votações, como lembra o jornal britânico Telegraph.

Enquanto isso, o filme sobre a FIFA definha

As más notícias para Joseph Blatter parecem não ficar por aqui. Paralelamente ao escândalo que abalou os alicerces da organização, o filme sobre a FIFA continua a registar parcos resultados nos cinemas norte-americanos: no fim-de-semana de estreia nos Estados Unidos, a película registou apenas 607 dólares (cerca de 546 euros) em vendas de bilhetes. Tendo em conta que o filme “United Passions” só está a ser exibido em dez cinemas e que o preço do bilhete não deverá ultrapassar os 10 dólares, site noticioso VOX fez as contas e chegou à conclusão de que uma média de seis pessoas viram o filme em cada teatro entre sexta-feira e sábado.

O pior é que os maus resultados nas bilheteiras não se registaram apenas nos Estados Unidos. Em todo o mundo, o filme protagonizado por Tim Roth (da série “Lie to Me”) conseguiu apenas 200 mil dólares em vendas, cerca de 180 mil euros. De acordo com o Hollywood Reporter, o filme teve um orçamento estimado entre os 25 milhões de dólares e os 32 milhões de euros (22 a 29 milhões de euros), mas 90% do financiamento terá sido garantido pela FIFA.