O Sonho ao Poder, uma fotobiografia de Mário Viegas, é lançada esta quinta-feira ao final da tarde no Museu Nacional do Teatro, em Lisboa, procurando transmitir os valores de um homem multifacetado que “não deixava ninguém indiferente”.

Filipe Esménio, autor da fotobiografia, disse à Lusa que procurou dar ao livro a “leveza” suficiente para ser lido pelas novas gerações, mantendo a “força” de uma personagem que “agitou consciências”.

Com dezenas de fotografias do espólio de Mário Viegas, o livro mostra o homem, o ator, o “diseur” (declamador), o ativista político, o boémio, o homossexual assumido numa época “difícil”.

Filipe Esménio disse à Lusa que, mais do que a memória, o livro quer passar os valores que marcaram a vida de Mário Viegas, como o de provar que as crianças podem acreditar nos seus sonhos — começou a fazer teatro aos quatro anos com dois pequenos fantoches – e que é possível fazer diferente (ele próprio assumiu a diferença), ter mais escolhas e mais liberdade. Depois, há a “paixão” pelo teatro e a “missão” de “defesa intransigente da língua portuguesa e dos seus poetas”.

A publicação do livro pela Editora Licorne, de Manuel Silva Terra, segue-se à exposição “Sonho ao Poder”, que tem vindo a percorrer várias cidades do país desde o ano passado, e insere-se num conjunto de iniciativas que a LPV/Museu do Bem Estar, associação criada para “extrapolar” a memória, o espólio e o pensamento de Mário Lopes Pereira Viegas, promove para assinalar os 20 anos da morte do ator (01 de abril de 1996).

“Mário Viegas agitou consciências e abanou estruturas. Foi desafiante e provocador. Um menino que tinha desde pequeno o sonho do palco e concretizou-o. Nunca desistiu das suas convicções, embora, no fim, talvez tenha desistido parcialmente de si, mas nunca daquilo em que acreditava”, afirma o texto de apresentação do livro.

Filipe Esménio, que não conheceu o ator, acabou por, pela circunstância de ter casado com a sua sobrinha, “cheirar, viver, respirar” o universo, público e privado, de Mário Viegas, de forma que se tornou uma “quase obsessão”.

Na que foi a casa dos seus pais, em Santarém, escreveu mesmo uma peça de teatro, compulsivamente, num fim de semana, um texto que, com a decisão da Câmara de Lisboa de retirar a Sala Mário Viegas (um anexo ao Teatro São Luiz) à Companhia Teatral do Chiado, ficou “engavetado”.

A saída de Juvenal Garcês do Teatro Estúdio Mário Viegas, que obrigou à retirada de todo o “valiosíssimo” espólio de Mário Viegas (propriedade da companhia), foi, segundo Filipe Esménio, o “gatilho” para se dedicar à tarefa de dar a conhecer a quem nunca conheceu um homem que “não era indiferente a ninguém” e todo o conjunto de valores que marcaram a sua vida.

Para esta fotobiografia, Filipe Esménio inspirou-se na “Auto-Photo Biografia Não Autorizada” de Mário Viegas e no livro de José Carlos Alvarez, atual diretor do Museu Nacional do Teatro. O livro, com 120 páginas e uma primeira edição de 800 exemplares, está à venda em livrarias de todo o país.