O procurador do Ministério Público de Paris acredita que o ataque de sexta-feira passada em Saint-Quentin-Fallavier, em França, teve motivações terroristas e não pessoais, como alega o autor do atentado. François Molins convocou uma conferência de imprensa para esta terça e revelou que a investigação policial descobriu que Yassim Sahli tinha a intenção de morrer numa “operação mártir”.

O homem, que decapitou o patrão, está agora a ser formalmente investigado por “assassinato e tentativa de assassinato em quadrilha organizada com motivações terroristas”. Na sexta-feira, Yassim entrou numa fábrica da Air Products, na região alpina francesa, e provocou diversas explosões em depósitos de gás industrial. Antes, tinha colocado a cabeça do patrão, Hervé Cornara, no topo de uma vedação, rodeada de bandeiras com dizeres árabes.

“Ele procurou dar a máxima publicidade aos seus atos”, afirmou o procurador parisiense, precisando que a decapitação “corresponde exatamente às indicações do Estado Islâmico” e consiste no “modo habitual de proceder” daquele grupo. Quanto às explosões, François Molins recordou que havia 75 pessoas na fábrica da Air Products, pelo que os atos de Sahli poderiam ter sido mais mortíferos.

Na segunda-feira, Yassim Sahli admitiu ter decapitado o patrão e ter tentado fazer explodir a fábrica, mas explicou que fora motivado por uma violenta discussão com Hervé Cornara na véspera e não por motivos religiosos, como acredita agora a investigação.