O procurador-geral do Novo México, nos Estados Unidos, apresentou nesta quarta-feira uma ação judicial contra Darren Indyke, advogado de longa data de Jeffrey Epstein, e Richard Kahn, contabilista do empresário, acusando-os de terem facilitado e ocultado os crimes sexuais do milionário. De acordo com o jornal The Guardian, o processo pretende impedir que os dois recebam pagamentos do património de Epstein enquanto decorrer a ação.

A queixa alega que os dois homens ajudaram a manter a rede de tráfico sexual do empresário, que morreu em 2019 numa prisão de Manhattan, enquanto aguardava julgamento. “Epstein não agiu sozinho e a sua morte não põe fim à procura de responsabilização das pessoas que ajudaram a tornar possíveis os seus crimes”, afirmou Raúl Torrez, procurador-geral do estado, acrescentando que os responsáveis por permitir os abusos não devem lucrar com eles enquanto as vítimas continuam a sofrer as consequências.

Richard Kahn e Darren Indyke. Quem são o contabilista e o advogado que serviram Epstein e que controlam a sua fortuna?

Segundo a ação judicial, entre 2011 e 2019, Indyke recebeu mais de 16 milhões de dólares (cerca de 13,7 milhões de euros) de Epstein e de entidades relacionadas, enquanto Kahn recebeu mais de dez milhões de dólares (cerca de 8,6 milhões de euros). A estes valores somaram-se empréstimos que nunca foram cobrados, apoio à compra de casas e pagamentos de despesas familiares. Um relatório das autoridades das Ilhas Virgens Americanas, consultado pela imprensa, concluiu que estes montantes estavam “muito acima do razoável” para justificar remunerações profissionais normais.

Os dois homens negam qualquer conhecimento de abusos e os seus advogados insistem na ideia de que desempenhavam funções normais num ambiente financeiro complexo. Argumentam que nunca receberam queixas de vítimas e que as entidades criadas por Epstein tinham finalidades legítimas. Mas emails, relatórios de bancos e dezenas de documentos citados em processos estaduais e federais descrevem outro cenário: um ambiente onde Kahn e Indyke eram intermediários diretos entre Epstein e mulheres que dependiam do milionário para casa, dinheiro, vistos ou cuidados de saúde.

Várias vítimas manifestaram apoio ao processo, defendendo que a ação poderá esclarecer o papel dos dois homens na organização e impedir que sejam recompensados pelo seu envolvimento. “As vítimas merecem responsabilização e respostas sob juramento. Os confidentes escolhidos por Epstein não devem ter a última palavra nem ficar com o dinheiro“, escreveram numa carta divulgada esta quarta-feira e citada pelo The Guardian.

A ação surgiu no âmbito da investigação reaberta este ano pelas autoridades do Novo México às atividades de Epstein no rancho Zorro, onde várias vítimas afirmam ter sido abusadas. O Estado está também a tentar obter acesso a documentos relacionados com o caso que estão na posse do Departamento de Justiça norte-americano.

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