NOS Alive

X-Wife, Capicua e Dead Combo: três bons exemplos

Uma artista com nome catalão, um duo que parece formado por um cangalheiro e um gangster, um trio que presta homenagem às ex-mulheres. São muitos e bons os portugueses nesta edição do festival.

Capicua, Dead Combo e X-Wife

D.R.

Quem passar por Algés nos próximos dias vai perceber que a agitação é grande na zona do Passeio Marítimo. A poucos dias do arranque todos os detalhes estão agora a ser afinados para que tudo esteja pronto para receber os festivaleiros na próxima quinta-feira. Com lotação esgotada há várias semanas, a primeira noite do festival é marcada pelo regresso dos X-Wife que vão atuar no palco NOS Clubbing à uma e meia da madrugada. Os portuenses voltam a tocar ao vivo após uma ausência de três anos. Depois da digressão que assinalou os 10 anos de carreira da banda, em 2012, os músicos resolveram tirar uma espécie de licença sabática para se dedicarem a outros projetos.

João Vieira estreou-se com o alter ego “White Haus” e Rui Maia lançou o primeiro álbum como produtor no projeto pessoal “Mirror People”. O disco “Voyager” está disponível gratuitamente aqui e foi gravado com a colaboração de artistas de diferentes países. Fernando Sousa também assinou colaborações com algumas bandas nacionais. O trio formado em 2002 tem contado com a colaboração do baterista Nuno Sarafa, tanto nas gravações como nos espetáculos ao vivo, desde 2006.

Ao todo os X-Wife editaram até agora um EP e quatro álbuns de originais, o último foi “Infectious Affectional” em 2011. Já tocaram em mais de 250 espetáculos na Europa, Estados Unidos da América e Canadá. Dia 9 vamos poder revê-los ao vivo com uma canção nova que é apenas isso. Por enquanto não há planos para gravar um álbum mas este “Movin’ up” promete acompanhar a banda sonora de muita gente neste verão:

A palavra capicua tem origem no catalão “cap i cua”e significa cabeça (cap) e cauda (cua). É também o nome artístico de Ana Matos Fernandes que estudou em Barcelona onde fez o doutoramento em sociologia. Descobriu o hip-hop aos 15 anos e tornou-se MC em 2004, gravou dois EP e a mixtape que deu lugar a sucessivas colaborações com alguns dos mais conceituados produtores nacionais. A estreia com um álbum de originais aconteceu em 2012 no homónimo Capicua. Foi muito bem recebido pela crítica, tabelado entre os melhores discos do ano e garantiu à artista as primeiras atuações em televisão.

No ano passado chegou a “Sereia Louca” que, na melhor “escola” do rap, também dá “serei a louca”. O sucesso do disco e o envolvimento dos fãs nas redes sociais têm tradução nos espetáculos em ritmo crescente pelos principais palcos e festivais do país, com um público cada vez mais heterogéneo. No passado mês de março foi editado “Medusa”, com dois originais e 14 remisturas de temas do disco anterior cujo êxito é assim celebrado, um ano após o seu lançamento. Um dos inéditos é sobre a violência contra as mulheres.

É conhecida a faceta ativista de Capicua, que se revela nas composições mas também nas intervenções públicas em conferências e no envolvimento em projetos sociais. O mais recente foi apresentado no último domingo, 5 de julho, no teatro Rivoli no Porto. “OUPA!” é o resultado de uma residência artística que durou quatro meses e envolveu jovens do Bairro do Cerco com o objetivo de defender a identidade cultural e reforçar o sentimento de pertença da comunidade através da palavra e da música. A rapariga de “Vayorken” atua no palco NOS Clubbing na sexta-feira. Um dos temas no alinhamento é este “Medusa” com a participação de Valete:

Tudo começou em 2003 com o convite feito por Henrique Amaro (Antena3) à dupla Tó Trips e Pedro Gonçalves para contribuírem com uma canção incluída no álbum “Movimentos Perpétuos”, em homenagem ao guitarrista Carlos Paredes. Os Dead Combo nasceram assim na sequência da gravação do tema “Paredes Ambience”. Em 2004 lançaram o álbum de estreia “Vol I” com música de raiz contemporânea abrangendo as sonoridades do fado e do jazz. O disco foi incluído na lista dos melhores álbuns do mundo por Charlie Gillet em 2005.

Atualmente com cinco álbuns de estúdio no catálogo, mais um ao vivo, o duo tem sido amplamente aclamado pela crítica tanto em Portugal como no estrangeiro. Todos os álbuns foram considerados “disco do ano” por várias publicações em Portugal. Em 2009 “Lusitânia Playboys” foi mesmo considerado o melhor da década pelo jornal “Expresso”. Gravaram um espetáculo ao vivo no Hot Clube, com a participação do baterista Alexandre Frazão. Em 2010 lançaram o DVD “Dead Combo & Royal Orquestra das Caveiras”, um verdadeiro concerto gravado no teatro São Luíz, com secção de metais, piano e bateria.

“A Bunch of Meninos” é o mais recente trabalho do duo que em 2012 conquistou as atenções do conhecido programa “No Reservations”, apresentado por Anthony Bourdain. Cruzando gastronomia e cultura, o episódio dedicado a Lisboa teve banda sonora dos Dead Combo e um pequeno excerto de uma atuação. Capazes de produzir músicas visualmente ricas, recriando ambientes retro-chic com influências estéticas do cinema, a dupla de personagens assume o visual de um cangalheiro e de um gangster. Têm espetáculo marcado para as 19h40 de sábado, 11 de julho, no palco Heineken. Oportunidade para os ver tocar este “Povo Que Cais Descalço”:

Entre a seleção de artistas portugueses nesta edição do NOS Alive destacamos ainda a atuação dos Cavaliers of Fun, já na quinta-feira à noite no palco Heineken. No dia seguinte os Blasted Mechanism abrem o palco principal às 18 horas. Bem mais tarde, já na madrugada de sábado, perto das duas da manha será a vez de Moullinex no palco NOS Clubbing. Além da música haverá também performances artísticas e espetáculos de comédia todos os dias. Não faltam argumentos para acompanhar todas as horas do festival que já é considerado um dos melhores da Europa.

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