O secretário-geral do PS, António Costa, reagiu esta quinta-feira aos apelos do Presidente da República para um governo “estável e duradouro”, garantindo que está a trabalhar para uma maioria absoluta e que se sente hoje “mais motivado”, não esperando que venha a haver “problemas acrescidos” para Cavaco.

“O prof. Cavaco Silva está no fim da sua carreira política já bastante longa. Devemos aliviá-lo dos problemas e ajudá-lo a terminar o mandato com dignidade e não lhe criar problemas acrescidos”, afirmou Costa, repetindo uma tirada de Cavaco, em 1994, quando era primeiro-ministro e estava envolvido numa guerra política com o então Presidente, Mário Soares. O socialista patrocinou, na altura, o congresso “Portugal: Que Futuro” que proclamava “o direito dos portugueses à verdade”. Recebeu como resposta de Cavaco a frase que agora foi repetida por Costa.

O secretário-geral do PS comentava assim a comunicação ao país feita pelo Presidente, quarta-feira à noite, em que anunciou a data das legislativas para 4 de outubro e apelou a um governo de maioria absoluta (com ou sem coligações). “Senti-me mais motivado para ter uma maioria absoluta e percebi pelo PR que a direita já não acredita que possa ter maioria absoluta. (…) A única solução estável, duradoura e coerente é a que corresponde à mudança, é o PS”, declarou Costa, acrescentando que Cavaco escolheu “um campo” e que “é aliado deste Governo”.

Lembrando que “70% das pessoas não se reveem neste governo e que, por isso, há uma enorme oportunidade para esses portugueses”, o socialista insistiu que “a sua vontade de mudança não deve ser bloqueada pelo PR”.