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Ciência

Fotos e vídeo: a vida que prospera agora em Chernobyl

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A população de alguns mamíferos na zona de Chernobyl tem aumentado, mesmo depois do acidente nuclear. Porquê? Porque os humanos foram embora, garantem os cientistas.

AFP/Getty Images

Boa tarde, meus camaradas. Todos vós sabem que houve um erro inacreditável, o acidente na central nuclear de Chernobyl. Isto afetou duramente o povo soviético e chocou a comunidade internacional. Pela primeira vez, confrontámos a força real da energia nuclear fora do controlo.

Esta foi a comunicação de Mikhail Gorbachev quando o dia 26 de abril de 1986 entrou na História como uma das datas mais catastróficas para a humanidade. Nesse dia, 116 mil pessoas foram evacuadas de Chernobyl, Ucrânia (então parte da União Soviética), quando o núcleo da central nuclear explodiu e libertou uma enorme quantidade de substâncias radioativas para a atmosfera.

Nessa altura abriu-se uma “zona de exclusão” com 4.200 quilómetros quadrados de área que ainda hoje continua desprovida de vida humana. Mas não de outros animais que ali permaneceram ao longo de 30 anos, mesmo quando os níveis de radioatividade eram considerados ameaçadores para vida: de acordo com um estudo publicado esta segunda-feira pela Current Biology, “não há evidências de uma influência negativa da radiação na abundância de mamíferos”, algo que vem contrariar as investigações anteriores que indicavam a diminuição da população de vida selvagem na zona de exclusão logo a seguir ao acidente nuclear.

O que a equipa dirigida por T. G. Deryabina, investigadora da Escola de Ciências Biológicas da Universidade de Belfast (Irlanda do Norte, Inglaterra), descobriu é que a população de veados, corças e javalis nas zonas afetadas de Chernobyl são semelhantes às encontradas em quatro reservas naturais não contaminadas da Bielorrússia. Mais do que isso: a população de lobos é sete vezes maior nas áreas com atmosfera radioativa do que nessas reservas.

Porquê? Os cientistas desmontaram três ideias que podem explicar “a resiliência da vida selvagem depois do pior acidente nuclear do mundo”. Foram as seguintes:

  • Quanto menor a contaminação radioativa em Chernobyl, maior a abundância de mamíferos nesta região: ambos os fatores estariam “negativamente correlacionados”.
  • A densidade populacional de grandes mamíferos está suprimida na Reserva Radioecológica do Estado de Polessye (PSRER) quando comparada com as quatro reservas não contaminadas da Bielorrússia. A PSRER é uma área da zona de exclusão pertencente ao setor bielorrusso, com níveis de radioatividade semelhantes aos do setor ucraniano.
  • A densidade populacional de grandes mamíferos diminuiu no período entre um e 10 anos depois do acidente.

O que descobriram é que nenhuma destas hipóteses se confirmava. Os dados recolhidos pelos investigadores mostraram que a contaminação radioativa não é um bom indicador da densidade populacional em mamíferos na PSRER e que o números de indivíduos em zonas contaminadas é semelhante (ou superior, no caso dos lobos) ao existente em zonas não afetadas.

“Doses extremamente altas durante os primeiros seis meses depois do acidente afetou significativamente a saúde e a reprodução de animais em Chernobyl. Mas não há nenhum dano pela radiação a longo-termo nos grandes mamíferos”, explica Deryabina no estudo. Mas existe outro motivo por detrás do sucesso populacional destes animais em Chernobyl: o desaparecimento da atividade humana. “Este é um exemplo notável do efeito da presença humana: a sua fuga permitiu a estes animais que prosperassem”, acrescentam os cientistas.

O próximo passo dos cientistas é entender como evoluiu a população de peixes em Chernobyl depois do acidente e perceber se o fenómeno observado nos mamíferos é válido também para a vida marinha.

No meio do caos e do abandono, há vida em Chernobyl. Veja na fotogaleria.

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