Nos últimos três anos até 2013/14, a taxa de retenções (chumbos) e desistências no final dos três ciclos básicos de ensino (4.º, 6.º e 9.º anos) subiu e, no caso do 4.º e do 6.º anos o aumento foi mesmo superior a 50% face ao ano de 2010/11. Esta curva inverteu a trajetória de descida nas retenções e desistências que se vinha verificando desde, pelo menos, 2003/04, noticia esta sexta-feira o Diário de Notícias.

Em 2013/14, de acordo com o relatório “Estado da Educação 2014”, verificou-se uma taxa de chumbos no 1.º ciclo (4.º ano) de 5%, mais 51,5% do que em 2010/11 (quando a taxa se fixou nos 3,3%). Já no final do 2.º ciclo (6.º ano) a taxa subiu de 7,4% para 11,4% (mais 54%). Também no 9.º ano os resultados pioraram, embora a subida da taxa de retenção e desistência tenha sido inferior, tendo passado de 13,3% em 2010/11 para 15,1%.

Esta evolução fez com que, no caso do 1.º e do 2.º ciclos, os valores da retenção e da desistência tenham recuado para os níveis de 2004/05.

Estes três anos letivos 2011/12, 2012/13 e 2013/14 coincidem com a vinda da troika, mas também com a introdução de uma série de medidas como as provas finais de 4.º e 6.º anos, que contam 30% para a nota final, assim como novas metas de aprendizagem e programas curriculares. 

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Ouvida pelo DN, a ex-ministra Maria de Lurdes Rodrigues lamenta que a taxa de chumbos tenha subido, referindo que “a questão do sucesso escolar saiu da agenda política” e que, ao invés disso, o objetivo passou a ser “examinar os alunos todos muito bem” e “não fazer nada para ajudar quem precisa”.

Citado pelo mesmo jornal, o Ministério da Educação e Ciência diz ser seu objetivo “reduzir as taxas de retenção em todos os anos de escolaridade, em particular nos primeiros anos, nos quais a retenção deve tender para valores residuais”. Porém, o MEC frisa que não quer que essa descida seja “artificial”. “Queremos que os alunos passem, mas passem sabendo (…). Nunca poderemos recuar em relação à exigência.”