No dia 28 de dezembro de 1965, a revista France Football nº 1033, trazia na capa a imagem de Eusébio da Silva Ferreira depois de ter conquistado a Taça dos Campeões em 1962, anunciando o vencedor da ‘Bola de Ouro’ desse ano. Atrás do então jogador do Benfica ficaram as estrelas do Inter de Milão Giacinto Fachhetti e Luis Suarez.

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Foi a primeira e a última vez que o ‘Pantera Negra’ conquistou o título de melhor jogador da Europa. E o galardão foi entregue pela temporada 1964/65 em que Eusébio, na altura com 22 anos, foi o melhor marcador do campeonato português e da Taça dos Campeões, destacando-se também na fase de qualificação para o Mundial de Inglaterra contribuindo para o primeiro apuramento de Portugal para a competição.

Por isso, António Simões explicou à Lusa que ninguém ficou surpreendido com a conquista da ‘Bola de Ouro’ de 1965 por Eusébio, que o antigo companheiro de equipa reconhece como um exemplo no futebol e na vida.

50 anos depois, António Simões assegura que o ex-companheiro no Benfica, na seleção e no União de Tomar “já tinha dado a conhecer o seu valor”.

“Não direi de surpresa (pela conquista da Bola de Ouro) porque o Eusébio já tinha sido campeão europeu, já tinha dado a conhecer todo o seu valor à Europa, mas é a primeira consagração ao Eusébio pelo seu valor”, explicou em declarações à agência Lusa.

Apesar de tudo o melhor ainda estava para vir e, na época a seguir à conquista do prémio da revista francesa, Portugal chegou às meias-finais do Mundial de Inglaterra e Eusébio foi o melhor marcador da competição.

Simões já estava no Benfica quando Eusébio chegou a Portugal, e o médio recordou os primeiros tempos do ‘Pantera Negra’ nos ‘encarnados’, quando se percebeu imediatamente o talento de “um jovem fisicamente perfeito para a prática do futebol”.

“Há um jovem fisicamente perfeito para a prática do futebol, cuja coordenação muita acima de qualquer outro e depois com a arte e o talento, isto tudo numa só pessoa, num senhor chamado Eusébio, obviamente que se percebeu que ele ia ser um grande jogador, indiscutível, e entrámos na discussão de quem é que ia sair para ele entrar”, afirmou.

O ‘Pantera Negra’ marcou mais de 600 golos ao longo da sua carreira, muitos deles a passe de Simões, que recordou a típica jogada de Eusébio e os seus célebres festejos.

“Hoje treina-se, mas naquele tempo ninguém treinava isso: que era solicitar o passe passando pela frente do defesa para que fosse buscá-lo já nas costas dele e meter a bola na baliza, raso, forte, do lado contrário. Vi muito acontecer isso e tive o privilégio de passar a bola naquela que era a sua exigência de que aquela bola tinha de ser posta ali. Onde esteve a bola, esteve o Eusébio e, sobretudo, esteve o golo, com essa capacidade de celebração que foi o contágio da alegria do regozijo, do júbilo à volta de Eusébio”, sublinhou.

Simões recordou com saudade Eusébio, que o considerava o seu ‘irmão branco’ e de quem diz ter recebido o maior elogio no futebol.

“Penso no Eusébio, tenho saudades dele, faz-me falta, eu disse quando se deu a morte de Eusébio que eu também perdi um pouco de mim e continuo a ter essa sensação. A saudade é tanta que o maior elogio que eu tive ao longo de toda a minha vida profissional foi vinda dele, quando ele diz que eu fui capaz de o perceber a jogar, e quando ele diz isso, diz que eu fui um jogador culto para o perceber, de outra forma eu não o teria percebido”, referiu.

Simões não esqueceu também o lado humano de Eusébio: “O maior elogio meu para o Eusébio tem a ver com as suas qualidades humanas. Futebolisticamente, toda a gente o conheceu, como homem eu tenho esse privilégio, quase o egoísmo de afirmar que é muito difícil ser-se rei na nossa