A agência de rating Fitch é, entre as três grandes (S&P, Moody’s e Fitch) a mais otimista para Portugal. O rating está em nível de alto risco – vulgo, lixo – mas está no nível mais elevado dessa categoria, ou seja, apenas a um passo de potencialmente passar a ser um investimento de qualidade. Além disso, a Fitch tem uma perspetiva positiva associada à sua notação de crédito – mas isso poderá mudar esta sexta-feira, dizem vários analistas de bancos de investimento, porque “as agências de rating têm muitas razões para criticar o governo.

A Fitch agendou para esta sexta-feira a sua revisão calendarizada do rating de Portugal. Não é obrigatório que algo mude (no rating ou na perspetiva) mas os analistas do holandês Rabobank dizem que “a retirada da perspetiva positiva é o cenário mais provável, caso haja alguma alteração esta sexta-feira”. Outro banco de investimento, o alemão Commerzbank avisa que o novo governo tem “revertido muitas medidas aplicadas durante o programa de ajustamento”, o que, a par do conflito com a Comissão Europeia sobre o Orçamento, “deixa as agências de rating com muitas razões para críticas” ao governo liderado por António Costa.

Os comentários dos bancos de investimento constam de notas de análise distribuídas em antecipação ao anúncio da Fitch.

Os bancos de investimento admitem que o rating fique na mesma mas o outlook associado a esse rating deixe de ser positivo e passe para estável ou, mesmo, negativo. Este outlook positivo foi reafirmado pela Fitch em setembro, poucos dias antes das eleições legislativas. Na altura, a Fitch notava um “reequilíbrio gradual da economia, suportado por reformas estruturais em áreas como o mercado laboral e os mercados de produto. Isso ajudou a impulsionar a competitividade e o crescimento e a combater os desequilíbrios externos e orçamentais”. Ainda assim, a agência já dizia, em setembro, que notava uma “desaceleração do ritmo de consolidação orçamental desde o início deste ano [2015]”.

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Na mesma linha do Commerzbank, o Rabobank diz que “a decisão recente do governo de aprovar um Orçamento que promete inverter as numerosas medidas de austeridade será uma decisão que estará, sem dúvida, sob escrutínio” por parte dos mercados. Ainda assim, perante expectativas de um reforço das medidas de estímulo monetário por parte do BCE, os juros têm tido tendência de descida nos mercados – a taxa a 10 anos ronda os 3,07%.

A decisão de Fitch deverá ser conhecida após o fecho dos mercados esta sexta-feira, ao final do dia. Além das decisões sobre o ratingoutlook, os investidores estarão, também, atentos ao teor dos comentários concretos com que a Fitch justificar a sua decisão, qualquer que ela seja.