O MillenniumBCP fechou o primeiro trimestre com um lucro de 46,7 milhões, menos um terço do que os 70,4 milhões no primeiro trimestre de 2015. O banco registou menos ganhos com venda de dívida pública portuguesa. O BCP anunciou um reembolso parcial do empréstimo estatal e mostrou-se disponível — e muito interessado — em concorrer ao Novo Banco.

Durante a conferência de imprensa de apresentação, Nuno Amado recordou que o BCP está proibido de fazer aquisições como seria a do Novo Banco, pelo facto de estar ainda sob plano de reestruturação e não ter devolvido ainda os 750 milhões de euros que falta pagar ao Estado.

A esse propósito, o BCP indicou que quer reembolsar entre 200 milhões e 250 milhões em breve. Ainda assim, mesmo com esse reembolso parcial, a proibição mantém. Mas o BCP mostra-se disponível para ser o “grande banco privado português” que deve participar neste processo. Nuno Amado sublinhou a importância de haver o “conjunto mais alargado e diversificado possível de interessados” no Novo Banco e disse que “era importante ter um banco português no processo”.

O BCP notou que isso passaria por uma negociação entre o Ministério das Finanças e a Direção-Geral da Concorrência europeia, explicou Nuno Amado, lembrando que “em situações excecionais a proibição pode ser levantada”. “Não depende de nós”, disse Nuno Amado, notando que “era importante ter um banco português no processo. Sabemos que não é fácil mas era importante”.

“Se tivermos oportunidade de analisar o processo, iremos analisar”, disse Nuno Amado, defendendo que é importante que continue a haver bancos com centros de decisão em Portugal e que consolidem as suas contas em Portugal.

Resultados caem com menor venda de dívida pública

O banco liderado por Nuno Amado obteve 28,3 milhões de euros em lucros com a venda de dívida pública (que se valorizou no mercado nos últimos anos), o que compara com os 191,3 milhões que, no primeiro trimestre de 2015, tinham suportado os lucros de então.

Os resultados foram comunicados esta segunda-feira ao regulador do mercado português, a CMVM.

A ajudar os resultados esteve, também, a descida das provisões, isto é, recursos que o banco coloca de parte para precaver desvalorização de ativos no seu balanço, como crédito malparado. Houve 160,7 milhões de imparidades, menos do que os 201 milhões subtraídos aos resultados no primeiro trimestre de 2015.

O BCP não conseguiu, contudo, melhorar a margem financeira. Essa rubrica, que contabiliza a diferença entre os custos do financiamento do banco e os juros recebidos, desceu 1,8% para 292,4 milhões.

Nuno Amado explica, em conferência de imprensa, que a margem financeira em Portugal foi pressionada pela menor quantidade de dívida pública no balanço do banco e, nas operações internacionais, houve um efeito cambial desfavorável.

Ainda assim, os custos operacionais também caíram — 4,4% (2,1% em Portugal).

Nuno Amado falou num ambiente “muito difícil” para a banca em Portugal, mas garantiu que o banco está “no caminho certo” para atingir os objetivos que traçou para si próprio nos próximos anos.

Um banco onde toda a gente é atendida “sentada”. E um multibanco que dá moedas

A apresentação de resultados marcou a comemoração de 30 anos desde a abertura das primeiras sucursais do Banco Comercial Português, uma em Lisboa e outra no Porto. Para comemorar o aniversário, o banco apresentou aos jornalistas a nova imagem das sucursais do banco.

Ao Observador, Rui Manuel Teixeira, administrador do BCP, disse que a estratégia do BCP passará por ter sucursais em que deixa de haver atendimento de clientes em pé e em que se reduz ao máximo o recurso ao papel e se incentiva o uso dos suportes digitais.

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Na sucursal do BCP que fica no cruzamento entre a Avenida Miguel Bombarda e a Avenida 5 de Outubro está, também, instalada uma máquina ATM que permite fazer depósitos e levantamentos de moedas.

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