O Presidente da República afirmou que o programa do PS “não está assim tão longe daquilo que o anterior Governo fez”. Marcelo Rebelo de Sousa considerou que “a realidade é como é” e a União Europeia condiciona a ação dos executivos. “A UE tem nesta altura tantos problemas – refugiados, migrações, Brexit, política de segurança – que não se pode agora perder um segundo com problemas que em 2010 ou 2011 pareciam de vida ou de morte”, afirmou o Presidente.

Em entrevista ao jornal alemão Die Welt, Marcelo Rebelo de Sousa falou sobre a situação portuguesa e como é que Portugal vê a Alemanha. O realismo do Presidente em relação aos principais partidos também se estendeu ao entendimento sobre o acordo à esquerda, com Marcelo Rebelo de Sousa a afirmar que Partido Comunista e Bloco de Esquerda “aceitaram a realidade”. “A disposição para o compromisso dos membros dos partidos e a vontade de apoiar o Governo foram, até agora, mais fortes do que os ideais. Isto funciona já há seis meses. As pessoas antes diziam que seria impossível, que socialistas e os partidos mais à esquerda nunca se entenderiam, que não aprovariam um programa de Governo e que não aprovariam um Orçamento do Estado. Até agora, conseguiram isto tudo”, afirmou o Presidente.

Em visita a Berlim, Marcelo Rebelo de Sousa referiu ainda que o Governo de Passos Coelho “fez tudo” para cumprir as obrigações e na sua oposição às sanções a Bruxelas. “Tinham um trabalho muito difícil. Agora falamos apenas de uma diferença de 0,4%. Na realidade, não é quase nada quando comparado com o que tínhamos no passado, e há que valorizar também a enorme evolução conseguida. Nessa altura foram por vezes 7% de novo endividamento. Procuramos cumprir as nossas obrigações internacionais e temos a impressão que nunca ninguém foi penalizado. Penalizar os cidadãos portugueses apesar dos esforços que fizeram seria verdadeiramente injusto“, disse o Presidente.

Marcelo Rebelo de Sousa referiu ainda que muitos dos países que agora fecham as portas aos refugiados, devem muito à Europa e à Alemanha, insistindo que em Portugal não se esquece o apoio dado por este país à construção da democracia no pós-25 de abril. “Falta à Europa uma estratégia de longo prazo. Sou um europeísta e continuo a acreditar na Europa. Contudo, há cada vez mais europeus – até políticos europeus – que começam a deixar de acreditar na Europa: defendem apenas os seus próprios interesses, e falta-lhes gratidão”, referiu o Presidente.