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O único ponta-de-lança da seleção nacional foi o terceiro homem a comparecer nas habituais conferências de imprensa matinais, em Marcoussis. Éder falou nos objetivos de Portugal, explicou porque festeja os golos com uma luva branca, abordou o feeling que sentiu quando usou a braçadeira contra Noruega e meteu o dedo na ferida: como se sente por ser o patinho feio?

“Eu trabalho da melhor forma para ultrapassar essas adversidades. Desde criança que as ultrapasso, isso tem sido muito importante”, começou por dizer. “Não é fácil, tenho trabalhado com o apoio dos meus colegas. Estive totalmente concentrado na seleção e em tudo o que podia fazer, procurando soluções. Tem sido uma grande experiência para mim, evoluir com estas questões.”

A temática manteve-se, Éder deu troco. “Eu não procuro calar ninguém. O meu objetivo passa por ajudar a seleção. É nisso que estou concentrado. Entendo que as pessoas queiram dar opiniões. A mim resta-me conviver com isso e trabalhar da melhor forma.”

Éder assume que será suplente e diz que trabalha “para ser opção” e mostrou-se grato pelo apoio dos colegas, seleção e federação. “Em campo nota-se a nossa cumplicidade. Nestes últimos jogos, todo o trabalho feito, tem sido excecional.”

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O trabalho de ponta-de-lança, já se sabe, é difícil. “Temos de estar bem em todos os aspetos, mentalmente e fisicamente. É dessa forma que tenho trabalhado, muito mais nos últimos tempos. (…) A responsabilidade existe sempre. Só com trabalho se pode corresponder a essa responsabilidade.”

E aquela história de festejar com uma luva branca? “Tem a ver com toda a adversidade da minha vida, festejo assim para me dar animo.” Será a clássica chapada de luva branca?

Quando lembrado que o seu último golo na Ligue 1 foi em Saint-Étienne, o palco do Portugal-Islândia, Éder sorriu muito. “É motivante, gostaria de voltar a marcar lá e poder usar a luva branca.” O avançado abordou também essa partida de estreia e confirmou o que já se desconfiava: “temos de ter paciência, a qualquer momento podemos fazer um golo”.

Os favoritos a ganhar o Campeonato da Europa para o futebolista do Lille, que marcou dois golos nos últimos dois jogos pela seleção, são Espanha, França e Alemanha. Quanto a goleadores… “Vou ser eu (risos). Há muitos. Temos Ronaldo, há [Robert] Lewandowski… Há muitos outros”

A seguir recusou arranjar um colega para “abancar”, para ele poder jogar e disse: “Se nos colocássemos na posição de outras pessoas, iríamos ver o mundo de forma diferente. Digo isto em relação a muitas coisas.”

E o feeling de ter a braçadeira de capitão contra a Noruega? “Fiquei surpreendido. Não sabia que o Ricardo Quaresma ia sair. Fiquei eufórico. Foi um orgulho enorme.”