Já são conhecidos mais detalhes sobre a lista dos principais devedores de risco da Caixa Geral de Depósitos, que foi divulgada na terça-feira pelo Correio da Manhã. Tal como o Observador já tinha noticiado, o banco público tem mais de 2,3 mil milhões de euros de empréstimos em risco de não serem pagos.

Segundo a edição desta quinta-feira do Correio da Manhã, na lista dos devedores da CGD está também a Acuinova, o projeto de aquicultura da Pescanova em Mira. Esta fábrica, inaugurada em 2007 e projetada para ser responsável pela maior produção de pregado no mundo, foi incluída nos projetos PIN (Potencial Interesse Nacional) pelo governo de José Sócrates. O projeto representou um investimento de 140 milhões de euros, dos quais 45 milhões vieram de financiamento do Estado, tendo o ex-primeiro-ministro comparecido à sua inauguração. A fábrica de Mira e a Pescanova Portugal apresentam agora imparidades (crédito perdido) de 23,8 milhões de euros, e 36,1 milhões de euros de crédito em risco.

Também a Brisal aparece agora na lista. Esta concessionária, responsável pela exploração da A17, a autoestrada que liga a Marinha Grande a Aveiro, é detida em 70% pela Brisa, em 20% pela Somague, MSF, Lena e Novopca, e em 10% pelo BCP, explica o CM. De acordo com o jornal, a Brisal aparece em décimo lugar na lista dos devedores da CGD, com 37,9 milhões de euros de crédito em risco, e 22,7 milhões em imparidades.

Sobre o Grupo Mosquito, que aparece em sétimo lugar na lista, já eram conhecidos os 178 milhões de euros de exposição e os 129,2 milhões em imparidades. O CM acrescenta hoje que a maior parte do risco deste grupo vem da construtora Soares da Costa, que representa 160 milhões de euros da exposição ao Grupo Mosquito, e 80 do total de 129,2 milhões de euros de imparidades do grupo. António Mosquito, empresário angolano que está à frente do grupo, além da Soares da Costa, está associado também à Controlinveste (dona do Diário de Notícias, Jornal de Notícias e TSF), em Portugal. A Soares da Costa tem vivido um clima de protestos entre os trabalhadores devido aos salários em atraso e à perspetiva de um despedimento coletivo.

Com a adição da Brisal e da Pescanova Portugal à lista dos principais devedores da CGD, o valor do crédito em risco de não ser pago ao banco sobe para 2338,4 milhões de euros, e um total de crédito potencialmente perdido, de imparidades, é agora de 1038,6 milhões de euros.