“Sem a garantia pública aos jovens tínhamos mais gente acampada“, afirmou Paulo Macedo, presidente da comissão executiva da Caixa Geral de Depósitos, respondendo a uma questão dos jornalistas sobre se a garantia pública está a contribuir para que os preços das casas em Portugal subam mais rapidamente. Paulo Macedo diz que prefere que os jovens consigam financiar um empréstimo para comprar casa, beneficiando da garantia, do que não terem qualquer acesso à habitação. Mais relevante para justificar a subida dos preços nos últimos anos, que “não é normal”, foi o facto de ter “entrado no país um milhão de pessoas no espaço de seis ou sete anos“.
Na conferência de imprensa de apresentação dos resultados dos primeiros nove meses do ano, Paulo Macedo reconheceu que a “evolução do preço do imobiliário não é normal“, com subidas de perto de 20% nos últimos trimestres de acordo com o índice do INE. Ainda assim, é algo que não surpreende tendo em conta que “faltam 300 mil casas no país [como disse o Banco de Portugal] e há uma procura significativa que, tão depressa, não vai baixar“.
Segundo a CGD, o crédito habitação com garantia pública do Estado, destinado a jovens até aos 35 anos na aquisição da primeira habitação, alcançou uma produção acumulada desde 2025 de 3,1 mil milhões de euros, dos quais cerca de 1,7 mil milhões de euros em 2026″, afirma o banco, destacando que a quota de mercado no crédito jovem com garantia ronda um terço do mercado.
Por outro lado, do lado da oferta, Paulo Macedo avisa que “Portugal não vai conseguir construir 300 mil casas em dois ou três anos“, pelo que esta é uma questão que vai prolongar-se por mais algum tempo. Para atenuar o problema, o banqueiro defendeu que deve haver uma maior aposta na dinamização do mercado de arrendamento, com maior previsibilidade para os senhorios, e maior investimento na habitação pública – mas a solução terá de envolver, também, o setor privado, defendeu.
Eu defendo um aumento da iniciativa pública, mas que ninguém julgue que é através da iniciativa pública que se vai resolver o problema”, afirma Paulo Macedo.
A CGD diz, também, que apoiou o setor da construção com 1,6 mil milhões de euros em crédito, “financiando [a construção de] mais de 8.700 frações habitacionais“. Paulo Macedo salientou que isto é um contraste em relação ao que acontecia há “seis ou sete anos”, em que praticamente não era concedido crédito às empresas construtoras, que tinham elevados níveis de malparado que colocavam os bancos sob a mira dos reguladores. António Valente, administrador financeiro, complementou que havia, na altura, “um estigma” em relação ao crédito à construção, algo que “levou à situação que temos hoje“.