O piso -1 do centro comercial La Vie Porto vai acolher, a partir do primeiro trimestre de 2017 e durante cerca de dois anos, os comerciantes do Mercado do Bolhão. O local da mudança foi anunciado esta quarta-feira pelo presidente da Câmara do Porto em reunião extraordinária sobre o tema.

O La Vie, antigo centro comercial Plaza, “é a melhor solução” por ser muito próximo do mercado e também por “ser um sítio muito confortável com ligação ao metro”, disse Rui Moreira. A primeira fase das obras começa a 1 de agosto e não deverá afetar os comerciantes. Só no final dessa empreitada, que se destina a desviar uma linha de água, é que os lojistas terão de se mudar, algo que deverá acontecer no segundo trimestre de 2017. Nessa altura começará a ser construída uma cave logística no mercado, para cargas e descargas e áreas técnicas, no subsolo, e um túnel, que se inicia na Rua do Ateneu Comercial do Porto.

De acordo com o portal do município, as obras de restauro e modernização têm em vista os cidadãos do Porto e não só os turistas, principais frequentadores do espaço atualmente. “Não vamos ter aqui uma Disneyland, vamos ter um mercado mesmo, onde pretendemos que as pessoas voltem a fazer compras, e também assim acreditamos que as pessoas voltem a viver na cidade”, afirmou o autarca aos jornalistas.

Mercado do Bolhão

O Mercado espera há 32 anos por obras. © Rui Oliveira / Global Imagens

A ideia é manter a identidade tradicional e de frescos. De acordo com o projeto apresentado no ano passado, o piso superior do mercado, com entrada pela rua Fernandes Tomás, vai manter a parte comercial e instalar restauração, transferindo todo o mercado de frescos para o piso inferior.

Ao todo, as obras vão custar 27 milhões de euros, um valor que “não vai onerar as contas futuras da Câmara”, acrescentou Rui Moreira. Mesmo que os fundos comunitários via Planos Estratégicos de Desenvolvimento Urbano (PEDU) não cheguem (o edil esperava conseguir 23,023 milhões, de acordo com a candidatura ao Portugal 2020). “A Câmara tem neste momento os recursos financeiros disponíveis para esse investimento“, garantiu.

O autarca revelou que com taxas de ocupação de 80%, os custos correntes do mercado ficam pagos. Mas a amortização do investimento pode ser feita, por exemplo, através de receitas “na área do merchandising e do mecenato”.

Para manter os vendedores do Bolhão, o presidente da Câmara do Porto assegurou que as taxas pagas pelos comerciantes vão manter-se, para já, iguais com a atual redução (na ordem dos 40%) e que, no regresso ao Bolhão, não vão sofrer aumentos, relativamente ao que estava estipulado antes de aplicada a redução.