As justificações dos presidentes das câmaras de Sines e Santiago do Cacém são muito semelhantes e dividem-se em três pontos: confirmam que foram a Lyon ver um jogo da seleção a convite da Galp, explicam que aceitaram por causa das boas e antigas relações que os dois municípios têm com a empresa e garantem que mantêm “independência e imparcialidade” como autarcas.

Depois do presidente da Santiago do Cacém, também o autarca de Sines divulgou esta quinta-feira uma nota de esclarecimento, enviada ao Observador, sobre a notícia de terça-feira passada e que dava conta da viagem paga pela Galp para assistir ao jogo Hungria-Portugal em Lyon, a 22 de junho. Nuno Mascarenhas diz ter aceitado o convite “na sequência das boas relações institucionais existentes com o responsável daquela unidade, que gera significativa riqueza e postos de trabalho no concelho“. O convite foi feito pelo presidente da Refinaria de Sines (da Galp), Martinho Correia, bem como o que foi recebido e aceite por Álvaro Beijinha, o autarca de Santiago do Cacém que se justificou com as “relações institucionais” da Câmara “com a Refinaria de Sines há mais de uma década”.

A autarquia tem relações institucionais com a Refinaria de Sines há mais de uma década. A Câmara assume um papel de interlocutor entre o movimento associativo do Município e a Refinaria de Sines, razão pela qual esta empresa entendeu convidar o Município. Foi nesse âmbito, que o presidente da Câmara aceitou o referido convite”, diz a nota do presidente de Santiago do Cacém.

Na nota de imprensa da Câmara enviada só esta quinta-feira ao Observador, Beijinha garante não existir “nenhuma dependência de ordem financeira, económica, ou outra qualquer, que ponha em causa a isenção da Câmara Municipal de Santiago do Cacém em relação à empresa Galp Energia”.

Nuno Mascarenhas é o autarca que mais decisões diretas sobre a Refinaria tem de tomar, já que é o presidente em Sines onde ela se instala, mas garante igualmente que “está de consciência tranquila” e que mantém “o empenho, a independência e a imparcialidade com que sempre tem defendido os interesses da população de Sines, e continuará a fazê-lo, em todos os momentos e perante todos os agentes, incluindo os económicos, independentemente de quaisquer relações pessoais”.

O presidente está de consciência tranquila sobre a aceitação do convite para assistir ao jogo da seleção nacional, mantendo o empenho, a independência e a imparcialidade com que sempre tem defendido os interesses da população de Sines”, lê-se na nota da câmara de Sines.

No caso de Álvaro Beijinha, a relação com a Galp surge mais pelo facto de muitos dos trabalhadores da Refinaria residirem no seu município, mas não só, como o próprio explica através do esclarecimento à comunicação social: “O Município de Santiago do Cacém tem protocolos assinados com a Refinaria de Sines, uma vez que muitos dos seus trabalhadores são residentes neste concelho. Exemplo dessa parceria são os apoios anuais a grupos desportivos e culturais do concelho de Santiago do Cacém, que a Refinaria de Sines mantém há vários anos.

Os dois autarcas foram contactados dias antes de o Observador ter publicado a primeira notícia, na terça-feira, mas só esta quinta-feira é que foi possível obter esclarecimentos de ambos.

Este artigo foi alterado às 18h30, depois de recebida a nota de esclarecimento da Câmara Municipal de Sines.