O PSD de Castelo Branco acusou esta terça-feira o presidente da Câmara de Castelo Branco de “populismo puro” em reação às declarações de Leopoldo Rodrigues sobre a ausência de verbas no Orçamento do Estado (OE) para 2027 para o IC31.
“Como pode quem conhece perfeitamente o calendário do IC31 apresentar a ausência de verba para a construção em 2027 como um sinal de paralisação, quando sabe que o início da obra está previsto para 2028?“, questiona, em comunicado enviado à agência Lusa, o presidente da Comissão Política Distrital do PSD de Castelo Branco.
Segundo Manuel Frexes, o projeto de execução, incluindo a avaliação ambiental, tem conclusão prevista para o segundo semestre de 2027, seguindo-se o concurso da empreitada ainda nesse ano e o início da construção em 2028, conforme o calendário anunciado pelo Ministério das Infraestruturas.
O presidente da Câmara de Castelo Branco, o socialista Leopoldo Rodrigues, manifestou-se na segunda-feira “surpreendido e estupefacto” com a ausência de qualquer verba na proposta de OE para 2027 para o início das obras da ligação transfronteiriça com Espanha.
“Tínhamos a expectativa que o OE contemplaria um valor para a construção do IC31 e foi com muita surpresa e estupefação que verificámos que existem zero euros previstos para o IC31 no OE de 2027. Isto não condiz com aquilo que é o compromisso que o ministro das Infraestruturas e supostamente também do primeiro-ministro”, afirmou Leopoldo Rodrigues.
O IC31, entre o nó da A23 em Alcains (concelho de Castelo Branco) e as Termas de Monfortinho (Idanha-a-Nova), continua na lista nacional de investimentos estruturantes, com 45 milhões de euros de valor total a cargo da Infraestruturas de Portugal, mas sem dotação relevante em 2027 (zero euros), após um milhão de euros inscrito em 2026.
O presidente da distrital social-democrata realça que se está perante uma obra que exige estudos, avaliações ambientais e procedimentos de contratação pública.
“São etapas indispensáveis que qualquer autarca experiente conhece”, sublinha Manuel Frexes.
“Quem teve anos para fazer avançar o IC31 e nada fez, tem pouca autoridade moral para vir agora exigir aquilo que sabe estar a decorrer nos trâmites normais e dentro dos prazos anunciados. O anterior Governo socialista não colocou a obra no terreno. Agora que o processo está finalmente a avançar, parece haver quem tenha dificuldade em reconhecer esse facto”, vincou.
Manuel Frexes deixa ainda um reparo ao presidente da Câmara: “Em Castelo Branco há obras anunciadas há cinco anos que continuam sem sair do papel. Talvez fosse útil aplicar a mesma exigência aos compromissos municipais.”
Para o social-democrata, “o IC31 não precisa de alarmismo nem de populismo”, mas sim de “projetos concluídos, concursos lançados e máquinas no terreno. É isso que continuaremos a exigir”, sustentou.