Pedro Santana Lopes pode nem se lembrar bem de como se joga xadrez, mas sabe que, geralmente, quando se reage a um xeque-mate “cumprimenta-se o adversário”. Foi assim que o provedor da Santa Casa da Misericórdia respondeu esta terça-feira à pergunta sobre como deveria o PSD reagir ao suposto xeque-mate que Assunção Cristas fez ao anunciar a sua candidatura precoce à Câmara Municipal de Lisboa.

Falando no seu espaço habitual de debate com o socialista António Vitorino, na SIC Notícias, o putativo candidato do PSD a Lisboa não acusou pressão e fez questão de recordar o calendário previsto pelos sociais-democratas no último Conselho Nacional: até março, os cabeças de lista têm de ficar fechados. “Ainda faltam seis meses”, lembrou Santana Lopes, citando as últimas declarações de Pedro Passos Coelho sobre o assunto. O líder do PSD pediu calma aos mais ansiosos e pediu que “respirassem fundo”, para mostrar que não tinha pressa.

“O respirem fundo é outra versão do keep cool”, notou o provedor da Santa Casa, remetendo para a expressão que usou no último congresso do PSD, em abril, quando fez questão de manter o tabu sobre as autárquicas.

No domingo, no seu espaço de comentário televisivo, foi Luís Marques Mendes quem considerou que a entrada em cena de Assunção Cristas na corrida à Câmara de Lisboa era “uma espécie de xeque-mate ao PSD”, uma vez que a decisão da presidente do CDS colocava Pedro Passos Coelho numa situação complexa entre fazer uma coligação, o quer seria “um suicídio” e um “sinal de fraqueza”, e escolher “um candidato vitorioso”, o que é cada vez “mais difícil”.

Pedro Santana Lopes não mencionou qualquer eventual apoio do PSD à candidatura de Assunção Cristas. “O PSD arranjará uma solução, seja ela qual for, mas no seu tempo”, disse, criticando o “nervosismo” que reina no centro-direita e que está a beneficiar a esquerda. “Ninguém pergunta quem é o candidato do PCP, ninguém pergunta quem é o candidato do Bloco de Esquerda, ninguém pergunta quando é que o Fernando Medina apresenta a sua candidatura”.

Certo é que as guerras entre o PSD e o CDS pela câmara de Lisboa não vêm de agora. Foi o próprio Santana Lopes que, de resto, comparou a situação atual com o que se passou em 2001, quando se candidatou pela primeira vez à capital.

Em 2001, eu e o dr. Paulo Portas tivemos para aí 50 reuniões lá para os lados da Expo para decidir se íamos em coligação ou não.”

O ex-presidente da câmara de Lisboa admitiu que, nessa época, tinha “dúvidas imensas” sobre se devia ir em coligação com o CDS ou se “conquistaria mais eleitorado à esquerda” se fosse sozinho, pelo PSD.

Foi Paulo Portas que desfez o dilema: “O dr. Paulo Portas à última hora decidiu concorrer, pôs cartazes por toda a cidade a dizer ‘Eu Fico’, e eu pensei, se fica então eu vou sozinho”. Santana Lopes entendeu que uma eventual coligação com o CDS abria “mais terreno para a esquerda”. O resultado foi o que se sabe: “Em 2001 o PSD ganhou sozinho” ao socialista João Soares. Mas “a história não se repete e agora o tempo é outro”, reconheceu. Continua tudo em aberto e Santana não tem pressa de fechar a porta à especulação.