No próximo dia 2 de dezembro, a Suécia assinala não só os 250 da lei da imprensa mas também os 250 da norma que legalizou o acesso público aos documentos do Parlamento e do Governo em 1766. Esta foi a primeira legislação deste tipo no mundo inteiro.

Um cidadão sueco pode aceder ao correio eletrónico de qualquer funcionário público ou outra informação que conste no telemóvel de trabalho. Tanto um diplomático, como um primeiro-ministro ou outro membro da Função Pública são obrigados a disponibilizar estas informações. O Tribunal Supremo afirmou que “não há nenhuma desculpa” para não cumprir estas regras.

Johan Linden, um jornalista sueco destacou um dos exemplos desta neutralidade. Linden lembra que, durante a Guerra Fria, realizou uma investigação sobre um avião de combate sueco e que necessitou de pedir milhares de documentos ao Governo. No entanto, garante que não houve qualquer entrave uma vez que estas informações eram públicas: ” quando um cidadão solícita algo, esta petição tem prioridade absoluta”.

Um historiador da Biblioteca Nacional da Suécia, Jonas Nordin, esclarece que esta lei surgiu no século XVIII durante a chamada “idade da liberdade”. Segundo o historiador, o impacto desta lei foi “tremendo” uma vez que necessitavam de uma norma que regulasse a possibilidade de uma discussão livre e o acesso às fontes oficiais. Jonas Nordin afirmou que esta lei tanto serve para os jornalistas como para os cidadãos comuns. Segundo o historiador a diferença é que a Suécia disponibiliza mais possibilidade de serem. Nordin considera que esta transparência total faz com que torne a sociedade melhor.

No entanto, as obras mais lidas na Suécia, que são da autoria de Henning Mankell, retratam as mentiras e os segredos da sociedade. A Suécia encontra-se entre os países menos corruptos do mundo, segundo a lista internacional da transparência. Nem os seus cidadãos, nem os seus políticos conseguem fugir a esta legislação.