O conselho de administração do BPI considerou a oferta pública de aquisição (OPA) do CaixaBank “oportuna e amigável”, mas esta não foi uma deliberação unânime. Para além dos administradores do banco catalão, que não votaram, o representante da Santoro de Isabel dos Santos, absteve-se e Edgar Ferreira votou contra. O administrador do grupo Violas, que tentou travar o fim do limite aos direitos de voto no BPI — uma das condições de sucesso da OPA — anunciou logo a seguir a sua renúncia ao cargo.

No relatório sobre a oferta do banco catalão, que já é o maior acionista do BPI com cerca de 45%, defende que a OPA pode reforçar a capacidade do BPI para enfrentar os desafios e oportunidades que se colocam ao setor bancário, designadamente pressão significativa sobre as fontes de receitas, crescentes exigências de capital, aumento dos custos regulatórios, transformação digital e consolidação”.

O relatório do conselho destaca vários pontos positivos da oferta que pode contribuir para:

  • O BPI manter o seu estatuto como entidade independente, o que o Oferente afirma ser sua intenção.
  • O BPI manter as suas parcerias de Banca/Seguros com o Grupo Allianz (Allianz Portugal e COSEC);
  • O BPI manter os princípios que tem seguido na sua política de recursos humanos;
  • Ser promovido o desenvolvimento em Portugal de atividades de prestação de serviços a favor do BPI
    e do CaixaBank suscetíveis de contribuir para a criação de empregos qualificados em Portugal.

Quanto ao preço oferecido — 1,134 euros por ação –, que na OPA lançada em 2015 tinha levantado objeções à gestão, o conselho admite agora que é particularmente difícil quantificar um preço para o banco, sobretudo face a fatores de incerteza como relacionados com o valor da participação no Banco do Fomento Angola (BFA), que baixou para 49%, as crescentes exigências de capital e a impossibilidade de quantificar o impacto das novas exigências mínimas de fundos próprios e passivos elegíveis que resultam da entrada em vigor do mecanismo único de resolução bancária.

Ainda assim, considera que a OPA do Caixa Bank oferece uma opção de saída aos accionistas que valorizem de forma mais marcada os riscos do que as oportunidades futuras e permite aos atuais acionistas permanecerem no banco, beneficiando da criação de valor que a operação de consolidação possa vir a gerar.

A maioria dos elementos do conselho de administração diz que ainda não decidiu se vende as suas ações na OPA. Apenas Carlos Moreira da Silva esclarece que não vai vender.