A startup portuguesa, que promete ser uma espécie de “big brother” da informação das equipas de vendas está de malas feitas para os Estados Unidos. A Attentive é a único projeto não norte-americano a integrar a edição de 2017 do programa de aceleração da Techstars, em Boulder, nos EUA, a cidade onde a aceleradora nasceu. A par dos três meses de formação, a empresa portuguesa recebeu 120 mil dólares (112 mil euros) de investimento.

“Concorremos a este programa em específico porque apesar de a Techstars já estar em várias cidades, há dois programas que são mais conceituados, porque têm a melhor rede de mentores. E o da Boulder está no topo. Têm uma comunidade de mentores muito forte”, explica ao Observador Daniel Araújo, cofundador e líder da tecnológica.

Até ao final do mês de abril, quatro membro da equipa da Attentive vão estar nos EUA a desenvolver o modelo de negócio e atentar aceder a “imensos potenciais clientes”. “Queremos afinar o nosso produto, terminar o programa com métricas de negócio completamente alinhadas, perceber qual é a receita média que conseguimos angariar com cada cliente. A ideia é ir afinando a máquina para termos toda essa informação na próxima ronda de investimento. Vai ser esse o nosso foco”, afirmou.

A Attentive foi lançada em 2015 por Luís Braga e os irmãos Daniel e Pedro Araújo, no verão de 2015. Participaram no programa de aceleração da Beta-i, o Lisbon Challenge, em setembro de 2015, e ganharam 100 mil euros, da Caixa Capital. Em setembro de 2016, fecharam uma ronda de investimento a que chamaram Advisor Round (valores não divulgados), junto de empreendedores como Cristina Fonseca (cofundadora da Talkdesk), Pedro Trinité (Cofundadora da TTR), Telmo Valido (diretor de investimentos na Permira) e dos fundadores da startup norte-americana vid.me.

“Eram pessoas que já nos estavam a ajudar há vários meses e decidimos permitir que entrassem no capital da empresa”, conta Daniel Araújo.

Com o software desenvolvido pela Attentive, as equipas de CRM (gestão de relação com o cliente) recebem alertas sempre que há informação de contexto sobre os seus clientes. O software encarrega-se de fazer, depois, tudo sozinho. “Queremos tornar o negócio repetível. O processo de repetir o negócio, neste momento, é muito logo e o processo é manual. Queremos automatizar o processo para crescer mais depressa”, explicou Daniel.

A empresa conta com um investimento total de cerca de 260 mil euros, emprega cinco colaboradores, está em três mercados (Portugal, Reino Unido e Estados Unidos) e conta com cerca de 150 clientes. Com os 120 mil dólares da Techstars, querem recrutar mais três pessoas para a equipa que fica em Portugal.

Já a Techstars é uma aceleradora de empresas tecnológicas (e um fundo de investimento), com 22 programas presentes em várias cidades do mundo e 648 investimentos em 550 empresas, de acordo com a base de dados CrunchBase. É um dos principais programas de aceleração de empresas do mundo.