Rádio Observador

Operação Fénix

Fernanda Miranda e Godinho Lopes ausentes do tribunal

A ex-mulher de Pinto da Costa alegou que não foi notificada pelo tribunal e a sua audição foi adiada. Uma testemunha afirmou que Nelson Matos, da SPDE, dizia fazer segurança privada ao líder portista.

O casal divorciou-se recentemente. Fernanda Miranda foi chamada por alegadamente ter usufruido de serviços de segurança pessoal.

© Paulo Jorge Magalhães / Global Imagens

Fernanda Miranda, a ex-mulher de Pinto da Costa, era uma das testemunhas convocadas para o julgamento da Operação Fénix esta manhã, mas não compareceu em Guimarães. Já o ex-presidente do Sporting, Godinho Lopes, também marcado para esta manhã, pediu dispensa.

A ex-mulher de Pinto da Costa afirmou que não foi notificada, ou seja, não sabia que tinha de comparecer no quartel dos Bombeiros de Guimarães, onde desde 15 de fevereiro decorre o mega processo das Máfias da Noite. A sua presença foi reagendada para o dia 22 de março.

Fernanda Miranda e Godinho Lopes são testemunhas no processo por, alegadamente, terem beneficiado de serviços de segurança privada. No caso da ex-mulher de Pinto da Costa, a acusação menciona vários episódios. Num deles, Eduardo Silva, principal arguido e responsável pela empresa de segurança SPDE, terá ido buscar Fernanda a casa e acompanhado-a até a um jogo do F.C. Porto, no Estádio do Bessa.

Chamado a prestar declarações, Jorge Nuno Pinto da Costa disse ter-se tratado apenas de uma boleia, e não de um serviço de guarda-costas. Eduardo Silva também já disse o mesmo. O juiz poderá questionar Fernanda Miranda sobre outras situações em que ‘Edu’ Silva e vários vigilantes da SPDE estavam presentes junto do ex-casal.

O mega julgamento junta alegados crimes de associação criminosa, extorsão agravada, ofensa à integridade física qualificada, coação, detenção de arma proibida, tráfico e mediação de armas, as medidas de segurança são muito apertadas. No caso do FC Porto, está em causa provar que o clube contratou serviços de segurança pessoal, vulgo guarda-costas, a uma empresa que não estava licenciada para o fazer.

A situação de alegada segurança pessoal indevida com Godinho Lopes terá acontecido no Aeroporto de Lisboa, em junho de 2015. De acordo com a acusação, o ex-líder leonino estava a testemunhar contra o Sporting na Suíça, no âmbito do caso Doyen. Desde a derrota de Godinho Lopes nas eleições para a presidência da direção do Sporting que existia um clima de grande tensão entre a direção de Bruno Carvalho e o ex-presidente leonino. Eduardo Silva terá então solicitado um serviço de proteção pessoal, a pedido do amigo de infância Nuno Cruz.

Chamado a testemunhar esta manhã, Nuno Cruz corroborou a versão já dada por ‘Edu’ Silva: que o responsável pela SPDE apenas lhe facultou o contacto de alguém em Lisboa, que chegaram a enviar três seguranças para garantir que Godinho Lopes não corria riscos, e que o serviço não envolveu a SPDE. Questionado sobre porque falou sobre valores de pagamento com ‘Edu’ Silva, a testemunha alegou que estava a informar-se dos valores praticados no mercado. “O senhor Eduardo nada teve a ver com o assunto”, disse.

Manhã mais difícil teve o arguido Nélson Matos, um dos cinco presos preventivos do processo. A acusação chamou Maria de Fátima Sousa, a sua ex-namorada, a testemunhar, e logo percebeu que as declarações seriam pouco abonatórias. “Conhece Nélson Matos?”, perguntou o juiz. “Infelizmente sim”, respondeu a mulher.

Maria de Fátima contou que o arguido se dizia o “braço direito do ‘Edu'”, que “acompanhava o Pinto da Costa e os jogadores”, e que uma parte do trabalho seria mesmo feita para o FC Porto, para além da efetuada para a SPDE. “Sabe se ele fazia segurança privada para alguém?”, questionou o juiz. “Sim, ao Pinto da Costa. Agora se era verdade ou mentira, não sei”, disse.

Perante a declaração desfavorável, Artur Marques, advogado de Eduardo Silva, colocou apenas uma questão para descredibilizar as declarações do arguido. “A senhora não acredita muito no que ele dizia, pois não?” E Maria de Fátima anuiu. “Sinceramente não.”

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